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Logum quer retomar expansão em 2019

Após três anos com sua expansão paralisada, a Logum Logística, que opera o maior duto de etanol do país, localizado no Centro-Sul (ver mapa abaixo), espera retomar as obras no próximo ano para alcançar a região metropolitana de São Paulo, maior polo brasileiro de consumo de combustíveis. E a motivação para isso cresceu com o cenário mais promissor para o mercado de etanol no país nos próximos anos, em boa medida alimentado pelo RenovaBio, novo política que privilegia o produto.

Wagner Biasoli, que preside a Logum desde 2015, lembra que a primeira etapa da nova fase de investimentos prevê uma extensão do duto para atender a todo o município de Guarulhos e alcançar São Caetano do Sul e São José dos Campos. Essa ampliação demandará aportes de cerca de R$ 700 milhões. Hoje, o etanolduto alcança, na região metropolitana de São Paulo, apenas 10% de Guarulhos, além de Barueri.

Segundo fontes consultadas pelo Valor, a reativação dos investimentos depende de um acerto entre os sócios da empresa e o BNDES. Em 2015, o banco exigiu a saída da Odebrecht Transport e da Camargo Corrêa da parceria para liberar o empréstimo de longo prazo necessário para as novas obras. Questionado, Biasoli afirmou que não comentaria questões societárias, mas a reportagem apurou que a exigência derivou do envolvimento desses grupos na Operação Lava-Jato. Também são sócias da Logum a Petrobras, a Copersucar e a Raízen.

Enquanto o novo financiamento de longo prazo não sai, a Logum vem renovando outros empréstimos-ponte firmados no passado com o BNDES.. A saída de Odebrecht Transport e Camargo Corrêa da Logum, que ainda não deu retorno aos acionistas, depende do equacionamento de questões financeiras. Procurada, a Odebrecht TransPort disse que "segue avaliando sua permanência ou não nos ativos". A Camargo Corrêa não respondeu até o fechamento desta edição.

Os recursos para a primeira etapa da nova fase de expansão também deverão provir de uma nova injeção de capital dos sócios. Mas o valor desse novo aporte ainda está em discussão, conforme Biasoli. "Temos uma perspectiva de terminar essa discussão até fim deste ano. Estou preparado para começar a primeira etapa no início de 2019", afirmou.

Segundo o executivo, a companhia já tem todos os licenciamentos para dar início às obras da primeira etapa, que deverão dobrar a capacidade de captura de etanol do sistema. Atualmente, o etanolduto tem capacidade para movimentar cerca de 5 bilhões de litros por ano, o equivalente a um quinto da produção do biocombustível da região Centro-Sul. Se o cronograma previsto se confirmar, essas obras terminarão no fim de 2020.

Um dos motivos para priorizar a extensão do duto na ponta consumidora é que o sistema hoje tem maior capacidade de captura do que de entrega etanol, segundo Biasoli. E a estrutura de distribuição da Logum tem lacunas justamente na região metropolitana de São Paulo.

A segunda etapa da próxima fase de investimentos prevê estender o duto até Santos, por onde o etanol poderá ser embarcado para o Nordeste e o Norte do país ou ainda para o exterior. O aporte previsto nessa etapa é de R$ 1,1 bilhão.

Já a terceira e última etapa de investimentos consiste em prolongar o duto em direção às regiões produtoras. O plano inicial era levar o etanolduto até Jataí (GO), mas, quando Biasoli assumiu a companhia, as usinas viviam o ápice da crise do segmento e o projeto foi reduzido. Hoje, prevê uma ampliação até Itumbiara (GO), cerca de 300 quilômetros a menos que o projetado inicialmente. Essa extensão deverá custar R$ 800 milhões.

Enquanto os novos aportes não se concretizam, a movimentação de etanol tem variado ao sabor das oscilações do mercado. No ano passado, quando a produção das usinas do Centro-Sul ainda foi acentuadamente "açucareira" por causa dos altos preços da commodity, o volume de etanol movimentado pela Logum caiu pela primeira vez desde a constituição da companhia. Foram 2,1 bilhões de litros, 10% menos que em 2016.

Para este ano, a perspectiva é de recuperação, dado que os produtores deverão maximizar a fabricação de etanol. Segundo Biasoli, a projeção é movimentar 2,5 bilhões de litros neste ano, acima inclusive do registrado em 2016 (2,34 bilhões de litros). Isso elevaria a ocupação dos dutos a cerca de 50%

Apesar de nunca ter dado lucro, desde 2016 a companhia passou a registrar fluxo de caixa operacional positivo – mesmo em 2017, quando a receita foi menor. Para os próximos anos, o executivo se mostra mais confiante, em razão da nova política de preços da Petrobras – que tem repassado ao mercado interno as oscilações do petróleo – e do RenovaBio, programa de incentivo aos biocombustíveis. "Para nós, o programa também traz vantagem, porque no cálculo das emissões o transporte [de etanol] também vai ser considerado", ressaltou ele.

Para Biasoli, consideradas as estimativas de que o RenovaBio poderá elevar a produção de etanol do Brasil a 50 bilhões de litros, o etanolduto poderá ser capaz de movimentar 15 bilhões de litros desse volume quando toda a expansão tiver sido completada.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico