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Lone Star assume a gestão da Atvos Bioenergia

Postado em 22 de Fevereiro de 2021

Representante do fundo americano Lone Star, o executivo Gustavo Alvares assumiu hoje a presidência da Atvos Bioenergia — subsidiária da Atvos Agroindustrial criada no âmbito da recuperação judicial da sucroalcooleira para emitir aos bancos credores as debêntures com participação nos lucros e bônus de subscrição. Alvares substitui Juliana Baiardi, filha de Renato Baiardi, ligado aos Odebrecht. Com a mudança, o Lone Star enfim entrou diretamente na gestão da companhia, em meio a uma guerra societária com a Novonor (ex-Odebrecht).

Alvares é vice-presidente da subsidiária do Lone Star no Brasil — a LSF10 Brazil US Holdings — e passou a presidir o conselho de administração da Atvos Bioenergia desde que o fundo Lone Star assumiu o controle da Atvos, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O nome de Alvarez foi aprovado hoje pelo conselho de administração da Atvos Bioenergia. O plano de recuperação judicial da Atvos Agroindustrial determina que o conselho da Atvos Bioenergia tenha dois representantes do acionista controlador e três conselheiros independentes.

Depois da mudança do controle, o colegiado passou a ser presidido por Alvares e a contar com outro representante do Lone Star. Hoje, com sua escolha para o comando executivo da Atvos, a presidência do colegiado passou a ser ocupada por Alex Grau, diretor da Hudson Advisors, empresa de assessoria que presta serviços de gestão para o Lone Star, enquanto Alvares segue com uma cadeira no conselho.

Também participaram da reunião do colegiado os atuais conselheiros independentes Júlio César de Toledo Piza Neto, Luciano Sfoggia e Timothy Eugene Powers. Eles foram indicados pelo próprio fundo depois que os conselheiros anteriores apresentaram renúncia coletiva, em meio a incertezas sobre como a gestão do Lone Star conduziria o plano de recuperação judicial.

A Novonor, através da Atvos Investimentos, voltou a fazer barulho com a mudança da gestão da sucroalcooleira. Após a reunião do colegiado que aprovou o nome de Alvares, o grupo enviou uma carta aos conselheiros independentes recomendando que eles “exijam dos eventuais novos diretores declaração expressa sobre a inexistência de potenciais conflitos de interesses em relação às sociedades do grupo Atvos e sobre o compromisso de dar cumprimento ao plano de recuperação judicial aprovado”.

O grupo dos Odebrecht acusa o Lone Star de ser um fundo abutre e um credor “hostil” à sucroalcooleira, já que o fundo, na condição de credor, se opôs ao plano costurado com os bancos e pediu a falência das usinas que não foram consolidadas no plano de recuperação principal — além de ter sido sua a ação de execução que levou a companhia à recuperação judicial.

A Atvos tornou-se uma peça importante para a Novonor e seus credores, já que o plano de recuperação da empresa prevê que 10% dos lucros da sucroalcooleira iriam para o pagamento dos bancos na recuperação judicial do conglomerado baiano. Sem o controle da Atvos, esse percentual cai para menos de 5%.

Em comunicado à imprensa, a nova gestão da Atvos informou que “as prioridades imediatas nesse novo ciclo são o fortalecimento financeiro da companhia, a renovação e expansão dos canaviais, a maior eficiência produtiva e a geração de resultados de forma sustentável no longo prazo”.

A nota não menciona as intenções da gestão a respeito do plano de recuperação judicial votado pelos credores e homologado na Justiça no ano passado.

No comunicado, o novo CEO afirmou que “reforçamos nosso compromisso com a segurança e desenvolvimento dos profissionais que estão conosco, com nossos clientes, parceiros, credores e as comunidades onde atuamos”.

Alvares também acumulará inicialmente a função de CEO com a de diretor financeiro, até a escolha de um novo nome. Durante a época de controle da Atvos pela Novonor, o cargo era exercido por Alexandre Perazzo.

Por Camila Souza Ramos 

 


Fonte: Valor Econômico