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Lucro da São Martinho caiu 11% no 1º tri

Em meio a um longo período de preços baixos do açúcar, que está poupando poucas empresas do setor, o Grupo São Martinho tem buscado maximizar sua produção de etanol e gerir com cautela a comercialização do biocombustível. Como a expectativa é que os preços do etanol estejam mais elevados na entressafra, a companhia segurou o ímpeto de vendas no primeiro trimestre da safra 2018/19 e acabou ficando mais exposta à pressão sobre as cotações do açúcar. Essa combinação de fatores, segundo a empresa, resultou em um lucro mais magro no primeiro trimestre da safra do que no mesmo intervalo da temporada anterior.

O lucro líquido da São Martinho de abril a junho foi de R$ 104 milhões, uma queda de 11% ante o primeiro trimestre do ciclo 2017/18. O resultado também foi impactado negativamente por um aumento do valor de imposto de renda (sem efeito no caixa) na mesma base de comparação.

A decisão da empresa de maximizar a produção de etanol traduziu-se em uma redução importante na oferta de açúcar, vendido a preços mais achatados do que um ano antes – quando foi comercializado por valor recorde.

A receita da São Martinho com as vendas de açúcar recuou 45%, para R$ 307,5 milhões. Mesmo assim, o preço médio de venda no trimestre (de R$ 1.145,50 a tonelada) superou o custo de produção da companhia no período (R$ 858 a tonelada), ressaltou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa. O que há de açúcar para ser vendido e com valores fixados até o fim da safra também garante alguma margem. Das 741 mil toneladas disponíveis, 69% estão com preço fixado a R$ 1.098,30 a tonelada.

Ainda assim, o tombo do primeiro trimestre derrubou a receita líquida total da São Martinho no trimestre para R$ 771,2 milhões, uma queda de 11,1%. Pelo mesmo motivo, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 15,6%, a R$ 401,4 milhões.

A margem Ebitda acompanhou a tendência e ficou 2,7 pontos percentuais menor do que um ano antes, mas ainda superando os 50%, ao atingir 52%.

O desempenho das vendas de etanol foi melhor que um ano antes, mas a forte aposta alcooleira desta safra e a estratégia de segurar as vendas para um melhor momento de preços prometem ampliar esses ganhos até o fim da safra, acredita Fábio Venturelli, CEO da São Martinho.

"Vendemos o etanol em uma janela muito oportuna dado nosso diferencial logístico. Conseguimos emplacar vendas no primeiro trimestre em momentos positivo de preços", disse ele. Com 216 milhões de litros de etanol vendidos no primeiro trimestre, a receita do grupo com o biocombustível avançou 60%, para R$ 373,1 milhões no período.

Para os três trimestres restantes, a companhia terá quase 1 bilhão de litros de etanol ainda para vender, em um momento em que espera preços mais atrativos. Segundo Venturelli, o plano é começar a escoar a maior parte desse volume a partir de outubro, "quando grande parte das usinas vão parar de moer porque estão com uma produção acelerada".

No lado financeiro, a dívida líquida cresceu 7,7% em relação ao trimestre imediatamente anterior, a R$ 2,7 bilhões, impactada principalmente pelo capital de giro, que costuma ser mais empregado nessa época, e em parte pela alta do dólar sobre os 29% da dívida bruta da companhia expostas à moeda.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico