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Lucro líquido do Grupo São Martinho subiu 67% no 4º tri da safra 2019/20

Postado em 30 de Junho de 2020

Apesar de a pandemia ter paralisado as negociações de etanol no fim do quarto trimestre da safra 2019/20, as vendas de açúcar e os preços do biocombustível comercializado nas semanas anteriores levaram o Grupo São Martinho a encerrar o período com lucro de R$ 142,6 milhões, 67% maior que entre janeiro e março do ano passado.

Dessa forma, a companhia encerrou a temporada 2019/20 com novo lucro recorde, de R$ 639 milhões, e agora propõe a maior remuneração aos acionistas de sua história - de R$ 187 milhões. O montante já inclui R$ 120 milhões pagos em juros sobre capital próprio no fim do ano passado e acrescenta R$ 68 milhões de dividendos adicionais.

A remuneração aos acionistas só não deverá ser maior porque a companhia segue cautelosa ante as incertezas globais. Assim, o valor a ser distribuído, que representará 28% do lucro da São Martinho, deve ficar abaixo do nível que prevê a política de distribuição de dividendos, de 40% do lucro caixa. “Mas podemos ter uma distribuição complementar conforme a [nova] safra for avançando”, afirmou Fabio Venturelli, CEO da companhia.

A pandemia gerou poucos impactos nos resultados da São Martinho do último trimestre. Mesmo com uma redução de 22,8% no volume de etanol vendido, a empresa obteve preços melhores do etanol vendido no período e registrou ganhos maiores com as vendas de açúcar, sobretudo para exportação. No etanol, a redução mais forte das vendas foi de anidro (misturado à gasolina), de 34%, diante do rompimento de contratos por parte de distribuidoras por força maior.

A receita líquida da companhia cresceu 2%, para R$ 1,1 bilhão no trimestre, e totalizou R$ 2,2 bilhões em toda a temporada. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do trimestre avançou 13,7%, para R$ 580 milhões, e chegou a R$ 1,9 bilhão no ciclo. Assim, a margem Ebitda ficou em 50,5% no trimestre, ante 45,3% um ano antes.

Para o início da safra 2020/21, a São Martinho carregou oito vezes mais etanol hidratado em seus estoques do que um ano antes, ou 54 milhões de litros. Os estoques ainda tinham 33 milhões de litros de etanol anidro, 74% mais na mesma comparação. Para carregar mais produto, a companhia buscou um capital de giro de R$ 125 milhões.

O maior impacto na dívida, porém, veio da variação cambial. Apenas esse fator gerou um impacto de R$ 480 milhões na dívida líquida, que encerrou o trimestre em R$ 2,879 bilhões, alta de 20%. Mas Venturelli ressaltou, que descontados a variação cambial, a remuneração aos acionistas e o capital de giro para estoques - que serão vendidos esta safra -, a dívida cairia para R$ 2,1 bilhões.

A pandemia não afetou os planos de investimentos da São Martinho. O grupo se prepara para colocar uma nova caldeira em sua planta de cogeração em sua usina em Pradópolis (SP) para atender o leilão A-6, vencido no ano passado e pelo qual deve começar a entregar energia em 2025. E os aportes no campo e na indústria (incluindo manutenção), de R$ 1,27 bilhão, foram mantidos.

No caso do plano para uma usina de etanol de milho anexa à Usina Boa Vista (GO), a companhia aguarda uma validação de um benefício fiscal do governo estadual. Segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro do grupo, o aporte está sendo reavaliado após a mudança de conjuntura do mercado, mas ainda não há nenhuma decisão. Enquanto isso, o detalhamento do projeto segue em andamento.


Fonte: Valor Econômico