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Mais de 83% da produção de cana do MT vai ser transformada em etanol

Caráter ‘alcooleiro’ da safra mato-grossense se reforça com a destinação de mais de 14,54 milhões/t para produção de hidratado e anidro nessa safra.

Mato Grosso deve produzir 17,34 milhões de toneladas (t) de cana-de-açúcar nessa safra, a 2018/19. Desse total, cerca de 14,54 milhões t serão destinadas à produção de etanol anidro e hidratado, volume que se confirmado, representará 83,85% da oferta global prevista para o Estado. Em relação ao consolidado no ciclo anterior, a variação atual impõe um incremento de 2,3 pontos percentuais sobre a participação dos etanóis na safra estadual.

Os dados fazem parte do quarto levantamento da cultura, apresentado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Conforme a projeção, Mato Grosso passa a produzir mais de 1,19 bilhão de litros de etanol, ganho anual de 8%, ante os 1,10 bilhão de litros anteriores.

O volume destinado da matéria-prima, que no ano passado foi de 13,13 milhões t – o que representou 81,55% da safra para produção de biocombustível – passa a ser de 14,45 milhões t, ou, 10,7% superior ao registrado na temporada passada. Como apontam os técnicos da Conab, com os preços do açúcar em queda no mercado internacional e um cenário mais favorável para o etanol no mercado interno, alta do dólar e do petróleo, as unidades de produção concentraram sua atenção na produção de etanol nesta safra.

A estimativa da produção brasileira para o etanol total é de 33,58 bilhões de litros, um aumento de 23,3% em relação à safra passada, que atingiu 27,24 bilhões de litros. Esse incremento na produção de etanol está relacionado à menor destinação de Açúcar Total Recuperável (ATR) para a produção de açúcar, aumentando a destinação para a fabricação de etanol. Outro fator importante é o fluxo de comercialização que o etanol apresenta frente ao açúcar. “Diferentemente do açúcar, que tem sua comercialização pautada em contratos futuros, o etanol permite que a unidade de produção aumente o fluxo de caixa com maior rapidez, uma vez que a comercialização é praticamente instantânea”. Considerando as questões de mercado e logísticas, Mato Grosso segue mantendo – e com força – o caráter ‘alcooleiro’ da safra de cana.

Para esse ano, o Estado está entre os dois estados brasileiros que optaram pela elevação da produção de etanol anidro. Mato Grosso e o Espírito Santo têm projeções de expansão – ante a safra anterior – de 31,7% e 44,2%, respectivamente. Todos os outros grandes produtores nacional apresentam previsão de redução na oferta do biocombustível. O etanol anidro é aquele misturado à gasolina para baratear o custo do litro ao consumidor.

Também chamado de etanol puro ou etanol absoluto possui pelo menos 99,6% de graduação alcoólica. Para a atual safra, conforme a Conab, a produção de anidro deve consumir 8,36 milhões t de cana, 34,4% mais do que as 6,22 milhões t da safra anterior. A oferta do biocombustível deve ser acrescida em mais de 162 mil litros, passando de 511,93 milhões de litros para 674 milhões de litros. Confirmada a projeção, a oferta de anidro no mercado local vai avançar em 31,7%.

A maior parte do biocombustivel a ser produzido pelo Estado será de anidro, representando 56,5% do total de etanóis que devem ser ofertados, conforme as projeções da Conab. Dos 1,19 bilhão de litros, 674 milhões de litros serão de anidro e 520,17 milhões de litros de hidratado. O hidratado tem projeção negativa quando comparado com a temporada passada.

O volume de cana destinado a sua produção cai 10,6%, passando de 6,91 milhões t para 6,18 milhões t. Dessa forma a produção passa de 593,67 milhões de litros para 520,17 milhões de litros, redução de 73,5 mil litros, ou, -12,4%. Ao contrário da oferta de anidro, a de hidratado, no Estado, vai na contramão das projeções de crescimento apontadas pela Conab para os grandes produtores do país, bem como para a oferta nacional, que deve aumentar 41,5%.

Conforme o levantamento, comparativamente à safra anterior, a estimativa realizada para a produção do etanol anidro nessa safra, no Brasil, é de redução na oferta de 3,7%, saindo de 10,99 bilhões de litros na safra passada, para 10,59 bilhões de litros, nesta safra. Para o etanol hidratado foi estimado aumento na produção de 22,99 bilhões de litros, contra 16,24 bilhões de litros da safra passada, representando um incremento de 41,5%. “O aumento da produção de etanol aconteceu devido à maior demanda do biocombustível na bomba, visto que a relação entre o etanol hidratado e a gasolina ficou mais vantajosa para a utilização de etanol hidratado nesta safra”.

AÇÚCAR - Nessa temporada as unidades de produção destinaram menor parte da produção de cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar. Por essa razão, a expectativa para o período 2018/19 é de diminuição percentual do Açúcar Total Recuperável (ATR) destinado à produção de açúcar, saindo de 45,9% na safra 2017/18, para 36,4% estimado para essa safra. Com essa retração prevista, a produção de açúcar deverá atingir 31.352,3 mil toneladas, redução de 17,2% se comparado ao alcançado no período 2017/18. São Paulo, maior produtor nacional, deverá ser responsável pela maior redução absoluta na produção de açúcar, 3.823,8 mil toneladas.

A região Sudeste, maior produtora nacional, será responsável, nessa safra, por 74,4% do açúcar produzido no país, seguido da Região Centro-Oeste (10%), Nordeste (8,4%), Sul (7%) e Norte (0,2%). São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás permaneceram como os maiores produtores de açúcar. Mato Grosso deve reduzir em 5,5% o volume de cana destinado à fabricação de açúcar, de 2,96 milhões t na safra passada para 2,80 milhões t nessa safra. A oferta do produto deve reduzir em 30,5 mil toneladas, ou, 7,4%. O ATR da cana representa a qualidade da cana, a capacidade de ser convertida em açúcar ou álcool através dos coeficientes de transformação de cada unidade produtiva.

Por Marianna Peres


Fonte: Diário de Cuiabá