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Manejo de plantas daninhas em MPBs exige atenção redobrada e moléculas específicas

Postado em 16 de Setembro de 2020

Diferente dos colmos, as MPBs são alocadas no solo com um sistema radicular pré-estabelecido, o que eleva o risco de intoxicação

As Mudas Pré-Brotadas (MPBs) cada vez mais estão presentes nos canaviais. A tecnologia, além de possibilitar a implantação de viveiros de alta sanidade e o replantio de falhas com muito mais eficiência, incrementa os sistemas de plantio como a Meiosi e a Cantosi.

Mas, embora consolidado, o cultivo de MPB ainda não está totalmente desvendado, principalmente no que tange ao manejo de plantas daninhas. Por falta de conhecimento, produtores e usinas aplicam herbicidas sobre as mudas recém transplantadas da mesma forma que aplicariam sobre os colmos. O problema é que, diferente dos colmos, as MPBs são alocadas no solo com um sistema radicular pré-estabelecido, o que eleva o risco de intoxicação.

O tema foi amplamente debatido durante a apresentação da FMC na 19ª edição do Herbishow - Seminário sobre o controle de plantas daninhas. Este ano, o evento, criado pelo Grupo IDEA, foi realizado em formato online devido a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). Convidado da FMC, o consultor na área de herbicidas e diretor executivo da Agrocon, Marcelo Nicolai, detalhou suas recomendações para esse tipo de manejo.

Primeiramente, orientamos que seja feita uma dessecação da área de forma antecipada para fomentar a inserção da MPB. Mas, quando chegar no momento de sulcar e plantar, é importante conduzir ambas as operações sem a presença de herbicidas.” O consultor explica que, após o transplante das mudas, deve ser realizada uma primeira irrigação buscando eliminar os bolsões de ar. Sete dias depois, vem uma segunda irrigação. “É neste momento que aplicamos o herbicida.”

No entanto, Nicolai alerta que não são todos os herbicidas que podem ser utilizados em MPB. Sua recomendação é o Stone, da FMC, que alia em sua composição o sulfentrazone e o diuron. “Esse produto é altamente seletivo e pode ser aplicado sobre a muda pré-brotada sem que haja prejuízos ao seu desenvolvimento, uma vez que nenhuma das moléculas presentes registra translocação de folha para a raiz.” Além de sua seletividade, o consultor ressalta também a parte operacional do produto. “Nas doses recomendadas, o Stone entregará um residual adequado e a área conseguirá tranquilamente chegar no quebra-lombo sem a presença de plantas daninhas”

Seja em Meiosi ou rotação em área total, Stone se mostra um grande aliado do setor devido a sua eficiência de controle e seletividade

Com a chegada das MPBs, a Meiosi (Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente) se mostrou ainda mais eficiente, por resultar em maior taxa de multiplicação de mudas. Neste sistema, planta-se uma ou duas linhas de MPBs (chamadas de linhas-mãe) numa área de reforma de canavial. Entre as linhas-mães, deixa-se um espaço para que seja feito o plantio de alguma outra cultura de interesse agronômico (crotalária) ou econômico (soja ou amendoim).

Por conta disso, quando se fala em manejo de plantas daninhas em áreas de Meiosi, não se pode olhar apenas a aplicação sobre a cana, já que o produto também atingirá o cultivo intercalar. Marcelo Nicolai ressalta que é muito importante que o setor entenda que existem herbicidas para cana-de-açúcar que são limitantes para a produção de outras culturas, como o tebuthiuron. De acordo com ele, são poucas as ferramentas que entregam eficiência e são seletivas tanto para a cana como para outros cultivos. “O Stone é uma ferramenta que possibilita esse trabalho, podendo ser aplicado tanto na linha-mãe de MPBs quanto no vão entre elas, sem causar fito.”

O Stone também se mostrou uma excelente ferramenta para rotação de culturas em área total. É o que afirma o professor associado 3, do Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Jacob Christoffoleti. Ele ressalta a grande contribuição do produto em sistemas de produção integrados.

Opinião semelhante é a do pesquisador Edison Baldan Júnior, que afirma que o Stone é uma grande oportunidade para aqueles que desejam reduzir seu banco de sementes, antes mesmo da introdução da cultura da cana. “A possibilidade do uso do herbicida da FMC em pré-emergência na rotação de cultura com soja, amendoim ou crotalária em área total ou no sistema de Meiosi é um grande benefício para todos.”

 


Fonte: CanaOnline