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Máquinas agrícolas: após 2 anos de perdas, setor deve crescer 10% em 2017

Supersafra de 2016/2017 e taxas de juros das linhas de financiamento deram confiança para produtores rurais investirem

A supersafra de 2016/2017 e as taxas de juros das linhas de investimentos atraíram produtores para a compra de máquinas e equipamentos. No primeiro semestre do ano, as vendas cresceram 15%, boa notícia para um setor que já vinha amargando perdas há dois anos.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o mercado teve um recuo no segundo semestre. Ainda assim, no acumulado do ano, 2017 deve apontar um crescimento de 10% em relação ao ano anterior.

O gerente de vendas Devoncir Kuasne afirma que, nos dois últimos anos, os produtores não tiveram confiança para investir, por conta da crise econômica e problemas no governo. O grupo para o qual trabalha, que mantém sete revendas de tratores no interior paulista, acusa baixa de 30% nas vendas dos últimos 24 meses.

Em 2017, porém, Kuasne considera que houve uma discreta melhora nos negócios. “A gente está acreditando, no fechamento do ano, em uma elevação nas vendas em torno de 6%”, diz.

De acordo com o presidente da Abimaq, José Velloso Dias Cardoso, a taxa de juros do Moderfrota – programa oficial para renovação de máquinas agrícolas – não é a ideal e estaria muito acima da inflação. No entanto, ele afirma que essa ainda é a melhor taxa disponível no mercado. “O Moderfrota teve um desempenho importante neste ano, é o grande alavancador das nossas vendas e a gente espera que essa linha seja perene”.

Entre janeiro e outubro deste ano, o faturamento do setor de máquinas e implementos agrícolas foi de R$ 11,677 bilhões, na contramão dos demais setores da indústria brasileira. Em 2016, a taxa de investimentos da indústria foi de 16% do PIB; neste ano, ficará em torno de 15,5%. Segundo Cardoso, da Abimaq, para que o PIB do Brasil volte a crescer de 2% a 3%, é preciso que a taxa de investimento fique acima de 22% em 2018. 
Cardoso acredita que as perspectivas para o próximo ano são boas. “A gente deve ter um crescimento do pib da ordem de 3,5%, e a grande responsabilidade vai ser do agro”, diz.


Fonte: Canal Rural