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Mecanização muda perfil tecnológico do campo paulista

Impulsionada na década passada pelo protocolo que proibiu a queima de cana-de-açúcar, a mecanização da colheita da matéria-prima mudou de vez o perfil tecnológico do campo paulista, confirma o Levantamento das Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (Lupa), em fase de finalização pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) e pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculados à Secretaria da Agricultura.

O trabalho mostra que, dentro de um universo de 334.741 de Unidades de Produção Agropecuária (UPAs) espalhadas pelo Estado na temporada 2016/17 (3,1% mais que em 2007/08), 117.723 recorriam à colheita mecânica, duas vez mais na mesma comparação (57.473). O total não inclui apenas propriedades canavieiras, mas é composto sobretudo por elas, os motores do agronegócio paulista. Em contrapartida, o número de UPAs com colheita manual, dedicadas principalmente a frutas cítricas e café, encolheu de 209.003 para 156.656 na comparação. "Certamente, há UPAs dedicadas a cultivos que manterão o procedimento manual para colheita, a exemplo de olerícolas e frutas", pondera o Lupa 2016/17, espécie de censo agropecuário de São Paulo.

Em termos de área, a colheita mecânica passou a ocupar 8,980 milhões de hectares em 2016/17, ante 4,464 milhões em 2007/08, ao passo que a manual recuou de 209 mil hectares em 2007/08 para 156,6 mil em 2016/17. O levantamento mostra que a área rural ocupada total diminuiu de 20,5 milhões de hectares para 20,3 milhões na mesma comparação. E que houve flagrante redução das áreas de pastagens e mesmo de culturas perenes – em parte graças à maior eficiência proporcionada pela mecanização -, que permitiu o avanço de áreas ocupadas por culturas temporárias como grãos, reflorestamento e vegetação natural (ver infográfico).

Ainda em relação ao perfil tecnológico, o Lupa 2016/17 aponta que, na comparação com 2007/08, houve aumentos das áreas de produção de grãos que recorrem ao plantio direto (de 759 mil para 1,819 milhão de hectares) e à irrigação (de 15,8 mil para 20,5 mil hectares). "Também foi notável [40,8%, para 12.395] a expansão do número de UPAs que passou a adotar o manejo integrado de pragas no período. O emprego dessa tecnologia comporta maior grau de sustentabilidade ambiental, uma vez que permite ajuste preciso do tratamento fitossanitário, trazendo, adicionalmente, vantagens econômicas devido ao menor uso de insumos", realça o trabalho.

Entre outras tantas informações, o Lupa mostra que paralelamente ao avanço do uso de tecnologias nas lavouras, cresceu também a lista de agropecuaristas de São Paulo que acessam ferramentas de financiamento e proteção. O número de Unidades de Produção Agropecuária que recorreu a crédito rural saiu de 49.916 em 2007/08, para 79.518 em 2016/17, e no caso das contratações de seguro rural o rol passou de 10.926 para 28.267.

Nesse avanço do uso de tecnologias e de ferramentas de financiamento e proteção, pesou a evolução do grau de instrução dos produtores. Se em 2007/08 50.622 proprietários de UPAs tinham ensino médio completo, o número aumentou para 67.727. No caso de agropecuaristas com curso superior completo, o número registrou alta de 62.561 para 74.777. "Empregar novas soluções tecnológicas nos sistemas produtivos requer conhecimentos, por vezes, complexos. Houve acentuada queda nos níveis mais baixos de formação entre os agricultores paulistas. somados os sem instrução com aqueles apenas alfabetizados, a diminuição constatada foi de 71%", afirma o trabalho.

Por Fernando Lopes


Fonte: Valor Econômico