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Mecanização no campo beneficia meio ambiente

Postado em 31 de Outubro de 2019

A mecanização da colheita da cana-de-açúcar e a antecipação do fim das queimadas possibilitou grande transformação nas regiões canavieiras do Centro-Sul do país e, principalmente, do estado de São Paulo.

Com o fim da queima da palha de cana-de açúcar, o setor sucroenergético já deixou de emitir mais de nove milhões de toneladas de CO2, além de 55 milhões de toneladas de outros poluentes atmosféricos. Além disso, a mecanização das lavouras também contribuiu para o aumento da fauna nativa nas regiões canavieiras, redução considerável do uso de água pela indústria e recuperação e proteção do solo.

“O fim da queima da cana, em São Paulo, trouxe mudança de paradigma. Tivemos uma questão legislativa, que estabelecia que seria

o fim até 2030, e conseguimos avançar bem antes desse período. É um verdadeiro marco de mudança. Mantendo o setor na vanguarda no que diz respeito ao agro e ao ambiental no Brasil”, afirma Patrícia Iglecias, diretora presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Segundo o diretor de Sustentabilidade da Tereos, Edilberto Bannwart, isso se dá pela manutenção da palha da cana no campo. “Durante a colheita, a palha acaba ficando no campo. Isso previne a erosão, além de manter a umidade do solo. Há uma recuperação cada vez maior, em virtude de não se ter mais queimada, como antigamente”, explica o diretor.

Em 2007, com a assinatura do Protocolo Agroambiental, o setor sucroenergético antecipou em sete anos a eliminação da queima da palha da cana-de-açúcar em áreas mecanizáveis e mais de 14 anos em áreas não mecanizáveis

Menos água no processo

A redução no uso de água no processo industrial do setor chegou a 95% após o fim das queimadas, caindo de 20 metros cúbicos por tonelada, para apenas 1 metro cúbico.

“Foram vários impactos positivos que tivemos em relação ao meio ambiente. O setor estava procurando diminuir a captação de água. Hoje, sem a queima, a cana não precisa mais ser lavada na indústria”, conta o gerente de Meio Ambiente da Raízen, Giuseppe Zermo.

Retorno da fauna

Cinco anos após a implementação total da mecanização no estado de São Paulo, já é possível observar o retorno da fauna nativa para as áreas de mata nas regiões de canaviais.

O diretor de Sustentabilidade da Tereos ressalta que as lavouras acabaram se tornando ecossistemas temporários.

“Temos indicadores, por exemplo, da presença de animais de topo de cadeia. A gente vê muito mais gavião hoje. Se tem gavião é porque tem rato, cobra e outros animais menores. A onça-parda, por exemplo, a gente vê muito mais do que via antes. Enfim, o alimento para ela ficou muito mais disponível. E ela migra. À medida que você vai colhendo, ela vai migrando e esse equilíbrio vai se restabelecendo”, diz.

 


Fonte: UNICA