Clipping

Menos chuvas em 2020 atrasou o desenvolvimento da cana que agora sofre a competição das plantas daninhas

Postado em 12 de Janeiro de 2021

A cana cresceu menos, não conseguiu cobrir as linhas, facilitando o desenvolvimento das plantas daninhas com a chegada das chuvas

As chuvas chegaram e encontraram os canaviais da região Centro-Sul com baixo desenvolvimento, pois a longa estiagem de 2020 atrasou o crescimento da cana, que não fechou as linhas. Sem o sombreamento da cana e com a maior incidência de chuvas, as plantas daninhas encontraram um ambiente propício para se proliferarem e nesta competição com a cana, as daninhas levam a melhor.

O portfólio de plantas daninhas que infestam os canaviais brasileiros é imenso. Tiririca, Grama-Seda, Brachiárias, Corda-de-viola, Capim Marmelada, Capim Colchão e Capim Camalote, Colonião, são apenas algumas das espécies que geram dor de cabeça às usinas e produtores de cana.

Caso não estejam atentos ao manejo, usinas e produtores podem ter danos significativos dependendo da magnitude da infestação. Uma área bastante afetada com 10 a 12 plantas daninhas por metro quadrado, por exemplo, pode ter perdas que chegam a 85%. A longevidade do canavial também é comprometida, levando o produtor a ter que reformar a área antecipadamente.

O tema é sério, tanto que a gestão do controle de plantas daninhas nas usinas brasileiras absorve, anualmente, cerca de R$ 500 milhões entre produtos, movimentação e venda de equipamentos, mão de obra e pulverização própria ou de terceiros.

Os herbicidas são insumos fundamentais para viabilizar a cultura canavieira. Se não houvesse a constante evolução na qualidade dos produtos e suas misturas, além do desenvolvimento de técnicas de aplicação e gestão, haveria sérios problemas para produzir cana-de-açúcar.

Para o pesquisador da ESALQ/USP, Pedro Jacob Christoffoletti, o controle das plantas invasoras do canavial é um desafio muito sério, pois elas podem comprometer a produção final da área. “Para ter sucesso, temos que controlar as plantas daninhas por, pelo menos, 127 dias do ciclo da cultura”, aconselha Christoffoletti.

O Pesquisador observa que as folhas largas têm ganhado importância nos últimos anos devido, principalmente, à colheita mecanizada, tornando-se um problema cada vez maior para usinas e produtores de cana. “Atualmente, 26% das recomendações de herbicidas são feitas para essas espécies. Já 74%, para as gramíneas”.


Fonte: CanaOnline