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Mercado de carbono em alta: primeiros passos do RenovaBio e novo índice global

Postado em 27 de Setembro de 2019

Os primeiros passos do RenovaBio

Até o início da semana, 13 produtores de etanol e biodiesel já haviam iniciado os procedimentos para emitir créditos de descarbonização (CBios) previstos no programa RenovaBio. Somam mais de 20 milhões de litros por dia de capacidade de produção de biodiesel e etanol.

As usinas devem começar a emitir créditos de descarbonização a partir de 2020. O volume de negócios ainda incerto, mas as estimativas apontam para mais de R$ 2,6 bilhões por ano, em dez anos.

“Estamos falando de mercado, há uma volatilidade. O que sim existe é uma demanda de CBios já contratada. Em um primeiro momento, haverá uma menor oferta no mercado e a tendência é que o preço fique elevado”, afirma Ricardo Zibas, sócio-diretor de Sustentabilidade da KPMG.

A demanda contratada a que Zibas se refere são as metas individuais, que estabelecem a quantidade de CBios que as distribuidoras deverão comprar, de acordo com o volume de combustíveis fósseis vendidos no ano anterior.

O que levará a uma demanda concentrada, ao menos no início. Reflexo do mercado de combustíveis, a BR Distribuidora, Ipiranga e Raízen serão responsáveis pela compra de mais 66% dos CBios disponíveis no mercado. As metas passarão a vigorar a partir de 24 de dezembro deste ano.

IHS Markit: carbono em alta

O preço médio global dos créditos de carbono está atualmente em US$ 23,65 e, considerando a evolução desde o início de 2018, o potencialmente de retorno para os investidores foi de 132% no período, de acordo com o IHS Markit Global Carbon Index, lançado esta semana.

“O IHS Markit Global Carbon Index cria uma referência importante que ajuda as instituições financeiras a avaliar e precificar melhor os riscos financeiros relacionados ao clima”, disse Eron Bloomgarden, co-fundador da Climate Finance Partners.

O critério para cálculo do índice são mercados de créditos de carbono mais maduros e com maior liquidez, como European Union Emission Trading System (EU ETS), o California Cap-and-Trade Program, and the Regional Greenhouse Gas Initiative (RGGI), que abrange nove estados americanos.

No Brasil, ainda há um debate de como será o mercado interno de carbono voltado para o setor de energia — se por precificação ou taxação. O próprio RenovaBio foi uma resposta a isso, do setor de combustíveis fósseis.

Mas na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei complementar (PLC 559/18), que prevê a oneração das emissões de gases de efeito estufa e cria uma taxação sobre o carbono embutida na Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). Proposta de Arnaldo Jardim (PPS/SP)

Recentemente, Ana Luiza Champloni, coordenadora-geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, defende o mercado de precificação — em linha com a visão de empresas de energia.

“As pessoas não estão interessadas em novos impostos. Hoje, o governo vê o mercado de carbono como uma alternativa mais viável para se precificar o carbono”, afirmou em agosto, durante evento do CEBDS, na Semana do Clima.

Faltam R$ 282 bilhões para mobilidade urbana

O BNDES calcula que há um deficit de R$ 282 bilhões em investimentos para sistemas de transporte de média e alta capacidade nas 15 maiores regiões metropolitanas do país — seriam necessários novos 1.633 quilômetros de metrôs, trens VLTs e BRTs.

Mas o Brasil investe um quarto do valor necessário para dar conta desse déficit em 20 anos. Os dados são do chefe do Departamento de Mobilidade Urbana e Logística do BNDES, Rafael Pimentel, que participou na terça (24) de audiência sobre o projeto na Câmara que tenta criar uma nova política nacional de mobilidade.

“No cenário de restrição fiscal, a única saída que vemos, principalmente nos sistemas de média e alta capacidade, como metroferroviários, é trazer a iniciativa privada, através das PPPs e das concessões. Então, temos de tornar esse ambiente mais atraente para eles e para os credores”, afirmou.

Defendeu estratégias de project finance para tirar os projetos de mobilidade do papel, estimulando aqueles que possam se financiar com a própria geração de caixa, sem depender exclusivamente de aportes e garantias governamentais.

O projeto é o PL 4881/2012, de José de Filippi (PT/SP) e Carlos Zarattini (PT/SP). As apresentações estão disponíveis no site da Câmara.

Unibras vai reabrir usina da Brasil Ecodiesel

A Unibras pode reabrir a antiga usina da Brasil Ecodiesel no município de Floriano (PI), a partir de outubro. Projeto foi pauta de reunião entre o secretário do Desenvolvimento Econômico do Piauí, Igor Néri, e o gerente de Produção da Unibras, Anderson Lange. Retomada é orçada em R$ 60 milhões.

A usina foi originalmente projetada para processar mamona, mas a agora a ideia é usar a soja. A usina tem capacidade de produção 90 milhões de litros de biodiesel por ano.

“Os dirigentes da Unibras atestaram que a soja é mais viável para esse tipo de combustível, sendo de maior produtividade e mais competitiva. Ainda assim, pretendemos reaproveitar a mamona da região e tentaremos inseri-las em algumas etapas da produção do combustível”, disse Néri.

A mamona foi a principal rota para produção de biodiesel no programa lançado pelo governo do ex-presidente Lula, com o objetivo deslocar parte do consumo de diesel interno.

Surgiram diversas empresas para desenvolver projetos para a produção de biodiesel a partir da mamona, entre elas a Petrobras Biocombustível e a Brasil Ecodiesel. Estudos posteriores indicaram que a rota não era o melhor caminho para a produção do biocombustível e várias dessas empresas quebraram.

Curtas

No Mato Grosso, o deputado Sebastião Rezende (PSC) apresentou parecer contrário ao projeto que isenta proprietários de carros elétricos da cobrança do IPVA. Entendeu que pode afetar o equilíbrio econômico-financeiro do estado. Proposta de Wilson Santos (PSDB) tramita na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.

No Rio de Janeiro, deputado Rodrigo Bacelar (Solidariedade) é o relator de um projeto de lei que obriga as distribuidoras de energia a instalarem pontos de carregamento de veículos elétricos em estacionamentos públicos. O parlamentar está com a relatoria da matéria desde março, mas ainda não apresentou relatório.

A Eletra lançou um ônibus elétrico híbrido com tecnologia 100% brasileira. O projeto foi desenvolvimento em conjunto com o Grupo Moura e a WEG e contou com financiamento da Desenvolve SP. De acordo com a Eletra, o ônibus consome 28% menos diesel, emite 95% menos material particulado e 30% menos gás carbônico (CO2).

A Copel concluiu as obras do Complexo Eólico Cutia, em São Bento do Norte e Pedra Grande, no Rio Grande do Norte. Recebeu investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões e têm 312,9 MW de potência instalada em 149 aerogeradores.

A inclusão de novas usinas nucleares no planejamento energético brasileiro até 2050 está movimentando deputados estaduais de Pernambuco, estado que precisa fazer alterações legais para que este tipo de projeto seja instalado. O governo pretende indicar a construção de seis novas nucleares com investimento de US$ 30 bilhões.

A Equinor assinou memorando de entendimento com a China Power International Holding (CPIH) para estudar o desenvolvimento de projetos de eólicas offshore na Europa e na China. Em fevereiro, a  Equinor fez acordo do tipo com Korea National Oil Corporation (KNOC) para eólicas offshore na Coreia do Sul.

Três parques eólicos financiados pela Apple entraram em operação na China. Faz parte China Clean Energy Fund, em que a empresa está investindo com fornecedores cerca de US$ 300 milhões para o desenvolvimento de 1 GW de energia renovável no país asiático.

A Enel X comprou 12,5% da Hubject, uma rede com 200 mil pontos de recarga de veículos elétricos, que opera em diversos países. A Enel X tem atualmente 8.000 pontos de recarga na Europa. Ao todo, a empresa opera 60 mil pontos de recarga pelo mundo e espera chegar a 455 mil até 2021.

 


Fonte: EPBR