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Mercado prevê retomada das cotações do açúcar

Postado em 29 de Abril de 2019

A atenção do setor sucroalcooleiro está voltada para a safra de cana-de-açúcar 2019/2020, no Centro-Sul, que se iniciou neste mês, apontando, na maioria das projeções, para volume próximo às 573 milhões de toneladas do período anterior. Há estimativas mais conservadoras – em torno de 565 milhões de toneladas na região, devido a esperadas quedas de produtividade na lavoura – e outras mais otimistas, com produção prevista de até 590 milhões de toneladas, feitas por consultorias especializadas. Em maio, saem as primeiras projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), importante referência para o mercado.

Enquanto isso, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) trabalha com expectativa de algo em torno de 570 milhões de toneladas de cana e promete números mais precisos em breve. "As chuvas de final de março e começo de abril indicam um canavial, mesmo que envelhecido, mais produtivo", prevê o diretor técnico da associação, Antonio de Pádua Rodrigues, considerando, porém, possível redução na área de colheita.

A Unica estima obter duas toneladas a mais por hectare de cana, passando de 73,5 t /ha, para 75,5 t/ha, mas trabalha também com a possibilidade de um quilo de açúcar a menos por tonelada de cana. "Porém, como provavelmente teremos duas toneladas de cana a mais por hectare, haverá incremento de produto", diz Rodrigues.

Ricardo Pinto, CEO da RPA Consultoria, tem previsões diferentes. Ele não descarta queda média de até 1,2 ponto percentual na produtividade da lavoura este ano e diz que a renovação do canavial ocorre em ritmo mais lento do que o previsto. "Possivelmente será menor a disponibilidade de cana no atual período", acredita.

O mercado, unânime, afirma que a safra 2019/2020 começa muito mais alcooleira, a exemplo do ano anterior. Eventual incremento na produção brasileira de açúcar será possível prever somente a partir de agosto/setembro, quando da definição do comportamento das produções na Índia, Tailândia, China – que enfrentam má distribuição de chuvas -, e União Europeia (com possibilidade de redução de área de plantio), e dos estoques mundiais.

A professora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), Heloísa Lee Burnquist, observa que os estoques internacionais de açúcar vêm se reduzindo e sinalizações de quebra em safras da Ásia e Europa poderão forçar quedas nos volumes estocados e recuperação nos preços. Em maio, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga novo relatório. O último, de novembro, contabiliza estoques mundiais de 53 milhões de toneladas de açúcar. O mercado já considera possibilidade de déficit mundial de 4 milhões de toneladas do produto na safra 19/20.

"A partir de outubro poderemos ter um começo de escalada de preços do açúcar", acredita Ricardo Pinto, prevendo queda na disponibilidade do produto no mundo. Segundo o executivo da RPA, os contratos futuros de açúcar na Bolsa de Nova York caminham em direção à recuperação de preços. Ele prevê uma safra de cana de 560 milhões de toneladas no Centro-Sul, com mix de 60% em etanol e menor oferta de açúcar.

Passada a seca, as chuvas de março e abril no noroeste de São Paulo recuperam o canavial e as expectativas do diretor da Região Brasil do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, de moer até 20,3 milhões de toneladas na atual safra, acima das 18 milhões de toneladas do período anterior.

"Devemos começar privilegiando o etanol, observando como a safra vai até novembro e ajustando o perfil de produção de acordo com comportamento do mercado", diz ele, à frente de sete unidades industriais na região. Na safra passada, a empresa destinou 43% da cana para etanol, produzindo 680 milhões de litros, e 57% para açúcar, com 1,4 milhão de t do produto. Costa Filho diz que é cedo para estimar o mix da atual safra.

O executivo da Tereos prevê um ciclo promissor de preços para o açúcar e o etanol, diante da possível redução na oferta mundial do adoçante, e da manutenção de preços firmes do petróleo.

Por Lívia Ferrari 

 

 


Fonte: Valor Econômico