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Mercosul e UE insistem em tentativa de acordo este mês

Em busca de um acordo ainda neste mês, para evitar incertezas em torno da troca de governo no Brasil, o Mercosul e União Europeia vão fazer uma nova rodada de negociações técnicas na próxima semana. O encontro, em Montevidéu, é uma tentativa derradeira de resolver pendências que impedem o anúncio de um tratado de livre-comércio entre os dois blocos.

A comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, telefonou ontem para o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Ela disse que via a possibilidade de avanços, com novas concessões de cada lado, e ainda neste ano. Os chanceleres do Mercosul, reunidos no Itamaraty, aceitaram a proposta.

O ministro uruguaio Rodolfo Nin Novoa disse que haverá um esforço para fechar o acordo neste mês ou no primeiro trimestre de 2019. Ele lembrou que as mudanças políticas não são apenas no âmbito do Mercosul e fez uma referência às eleições para eurodeputados.

"Há acontecimentos políticos, entre outros a mudança no Parlamento Europeu e, portanto, a mudança com certeza de alguns comissários, que será em abril ou em maio, nos indicando que deveríamos tratar de estabelecer um prazo-limite nos três primeiros meses do próximo ano", afirmou Novoa, em rápida declaração. Depois, ele corrigiu-se e acrescentou que o primeiro trimestre não é um prazo, mas uma "aspiração".

O Valor apurou que é muito baixa a expectativa do atual governo brasileiro com o fim dos impasses na negociação. Na rodada anterior de negociações, em Bruxelas, havia ainda indefinição sobre temas como indicações geográficas e o "princípio da precaução" para produtos agrícolas.

A UE não sinalizou se ampliaria a cota para carne bovina do Mercosul (a proposta atual é de 99 mil toneladas por ano) ou se eliminaria a cobrança de tarifas para o açúcar exportado para a Europa dentro das cotas propostas. E ainda fez exigência de abertura maior no mercado de vinhos (o Brasil resiste) e de azeites (a Argentina não quer). Nas discussões sobre lácteos, o Uruguai evita a liberalização completa.

"Resolvemos inúmeros problemas, mas ainda restam pendências", observou Aloysio, sem entrar em detalhes. Ele não falou publicamente sobre o telefonema da comissária europeia. "Nos últimos dois anos, houve ampla convergência política dos países do Mercosul e as negociações tomaram impulso."

Novoa foi cauteloso ao comentar as intenções do próximo governo brasileiro sobre o Mercosul. Ele e o argentino Jorge Faurie se reúnem hoje com o futuro chanceler, Ernesto Araújo. Para o uruguaio, fala-se sempre de uma "flexibilização" do bloco, mas a união aduaneira "merecerá uma discussão oportuna".

Quanto às declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, que alertou sobre a impossibilidade de manter a negociação caso o Brasil saia do Acordo de Paris, Novoa desconversou: "Não é oportuno para chanceleres comentar declarações de presidentes".


Fonte: Valor Econômico