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Millenium promete investir pesado em etanol de milho

Postado em 30 de Outubro de 2019

A Millenium Bioenergia, companhia constituída em 2014 por usineiros de São Paulo e produtores de grãos do Centro-Oeste, espera iniciar ainda neste ano a construção de duas usinas de etanol de milho no país, uma em Roraima e outra em Mato Grosso. Deverão ser as primeiras de uma série de até oito unidades de etanol que a companhia pretende erguer nos próximos anos, boa parte delas na Zona Franca de Manaus.

A expectativa é que a licença para a usina de Roraima seja concedida nesta semana e que a construção comece em novembro, disse Eduardo Lima, CEO da companhia, a jornalistas durante um evento promovido pela consultoria Datagro em São Paulo. A unidade ficará no município de Bonfim, localizado a pouco menos de uma hora da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Lima espera que a licença para a instalação da segunda unidade, localizada em Jaciara (MT) e que ficará a cargo da Fluor Corporation, saia em dezembro. A usina mato-grossense deverá servir de "modelo" para as demais plantas que os sócios da Millenium querem construir na região da Zona Franca, como Itacoatiara, Rio Preto da Eva e Manaus - para as quais a companhia já possui licenças prévias -, e em Tabaporã (MT), onde o grupo já começou o plantio de cana.

Apesar do zoneamento agroecológico da cana impedir seu cultivo no bioma amazônico, o executivo disse que a companhia tem uma licença especial para a unidade de Tabaporã, na parte amazônica de Mato Grosso, concedida ainda no governo Lula. A companhia também pretende erguer usinas na Flórida, nos EUA, e em Queensland, na Austrália.

Os investimentos em cada usina são da ordem de US$ 170 milhões - o total previsto, portanto, supera US$ 1 bilhão. Segundo Lima, a Millenium já conta com recursos de sócios e financiamentos para a construção das duas primeiras plantas. Dos US$ 340 milhões que deverão ser aplicados, Lima disse que os sócios arcarão com 80% e os 20% restantes virão de financiamentos contratados com bancos estrangeiros, entre eles um chinês e um europeu.

O executivo afirmou que os recursos serão liberados pelos financiadores assim que as licenças forem concedidas. Por sua vez, os aportes na fase anterior à construção das indústrias já estão sendo realizadas com capital próprio da companhia. O prazo de construção de cada unidade será de dois anos.

Segundo Lima, as usinas que a Millenium Bioenergia pretende erguer no Norte do país deverão abastecer o Nordeste com etanol e o Oriente Médio e a Ásia com farelos (DDGs) de alta proteína. Para garantir mercado, a companhia firmou contratos de dez anos com uma cooperativa americana para garantir o fornecimento de milho para suas plantas e para a exportação dos DDGs aos mercados externos. A usina que a companhia pretende construir no ano que vem na Austrália deve atender basicamente a demanda chinesa por etanol e DDGs.

 


Fonte: Valor Econômico