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Ministério da Agricultura sob Bolsonaro precisará priorizar diplomacia comercial

País precisará de uma agenda externa mais para negócios do que para política

Passadas as eleições, é hora da procura do novo ministro da Agricultura. O perfil do futuro ocupante do ministério deveria ser bastante técnico e conhecedor do setor tanto interna como externamente.

O mercado externo passou a ter uma importância até maior do que a do interno. E o novo ministro não pode errar na diplomacia comercial.

O país é líder mundial em exportações de carne de frango, carne bovina, café e açúcar. Em todos esses produtos, mais de um terço da produção vai para o exterior.

O país lidera ainda o mercado mundial de soja, celulose e suco. Nesses produtos, o percentual da produção destinado ao mercado externo supera 50%. No caso do suco de laranja, atinge 95%.

O país precisará de uma agenda externa mais para negócios do que para política.

A exposição do país no mercado externo exige, portanto, cuidados redobrados internamente. Atitudes pouco éticas de alguns funcionários públicos e de empresas resultaram em perdas bilionárias para o país nos últimos dois anos.

Em alguns casos, como os das carnes de frango e suína, a reconquista de mercados perdidos vai demorar.

O cumprimento das exigências internacionais é fundamental para o país. E elas vão desde qualidade do produto a condutas trabalhistas e ambientais do setor produtor.

Um setor fundamental para o agronegócio é o da vigilância sanitária, exatamente o que vinha se mostrando com falhas graves nos últimos anos, tanto da parte de governo como da de empresas.

O novo ministro deverá ter, ainda, força dentro do governo para desenvolver políticas de renda, de preços, de seguro e de garantias de sustentabilidade do setor. Isso está cada vez mais difícil por causa da escassez de dinheiro.

O novo ministro poderá herdar um pacote pronto do governo eleito: a fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.

A união dos dois ministérios deverá colocar sob o mesmo guarda-chuva problemas como os da Carne Fraca e da tragédia de Mariana (MG), onde houve ruptura de uma barragem com resíduos minerais.

Ambas as áreas têm problemas específicos, e um dos grandes desafios da agropecuária e da mineração é compatibilizar competitividade com sustentabilidade.

Mais importante do que a união é um avanço de parcerias de responsabilidades entre o setor privado e o governo. Burocracia e a falta de fluidez são constantes nos dois.

Algumas licenças, tanto de patentes agrícolas como ambientais para mineração, duram de cinco a dez anos. É impossível o país se adequar a avanços produtivos com tanta burocracia.

Bioenergia O Brasil precisa de uma boa evolução na bioenergia. Além da redução de importações, o país poderá exportar mais e produzir de forma mais limpa. A avaliação é de Plinio Nastari, da Datagro, feita em evento da empresa nesta segunda-feira (29), em São Paulo.

Menos importações O etanol substituiu 44% do consumo de gasolina neste ano, considerados os tipos hidratado --o que vai direto no tanque-- e o anidro --misturado à gasolina.

Segunda geração O Brasil está prestes a ter as primeiras unidades de etanol de segunda geração com rentabilidade, segundo Dyogo Oliveira, presidente do BNDES. Além de elevar a produtividade no setor, o país avançará no domínio de uma nova tecnologia.

Fornecedor O controle dela vai permitir ao país um maior domínio nesse setor industrial. O BNDES é responsável por 40% dos investimentos do setor sucroenergético, segundo Oliveira.

 

Vaivém das Commodities: A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.


Fonte: Folha de S. Paulo