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MME deve rever metas do RenovaBio, mas distribuidoras defendem suspensão do programa

Postado em 2 de Abril de 2020

Brasilcom alega que há uma “ausência de bases econômicas sustentáveis” para garantir e justificar a manutenção das metas do RenovaBio em 2020

A pandemia do coronavírus tem impactado a sociedade e todos os setores da economia, o que tem grandes consequências no mercado sucroenergético. Os preços dos produtos da cana estão em baixa, distribuidoras estão cancelando contratos e o mix de produção está sendo modificado. Em meio a esse turbilhão, o início da comercialização dos créditos de descarbonização (CBios), criados pelo RenovaBio, já tem data marcada: 27 de abril.

Mais, por mais que exista uma pressão para o início da comercialização dos títulos, o RenovaBio agora vive um momento de incerteza. Com a queda na demanda por combustíveis, entra em questão a manutenção das metas estabelecidas pelo programa, pois o setor não sabe se a comercialização de biocombustíveis deve gerar um volume suficiente de CBios e nem se as distribuidoras terão condições financeiras para comprá-los.

Segundo o diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Miguel Ivan Lacerda, o ministério começou a considerar a possibilidade de revisão de metas, por conta do choque de demanda. “Mas é muito cedo, estamos com um deadline para estruturar isso em até 90 dias. Vamos avaliar qual seria a nova meta e quais são os procedimentos necessários”, explicou.

Por sua vez, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acredita que a geração de CBios será suficiente para o cumprimento das metas. “É óbvio que a nossa previsão é para um cenário de normalidade. Não tivemos tempo de fazer uma análise dos efeitos e nem podemos fazer agora porque estamos cuidando da crise”, destaca o ex-diretor Aurélio Amaral.

Mas o cumprimento destas metas, por parte das distribuidoras, pode ser um problema. O diretor da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom), Carlos Germano, afirma que, no último ano, a entidade vem alertando o setor e as autoridades sobre problemas e dificuldades enfrentados pelo mercado distribuidor na implementação e atendimento ao RenovaBio.

Segundo Germano, a Brasilcom solicitou ao MME que o programa seja “totalmente reavaliado e suspenso”. Para ele, as atuais bases econômicas não seriam capazes de garantir o cumprimento das metas para 2020.

Confira, na versão completa, os desdobramentos sobre o cumprimento das metas, as consequências para o início do programa, o andamento das certificações das usinas e os demais desafios do RenovaBio, dado o cenário atual de crise.


Fonte: Nova Cana