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Modelo brasileiro de produção de etanol pode ser exemplo para outras nações

O modelo brasileiro de produção de etanol pode ser exemplo para outros países, que têm o interesse em investir no desenvolvimento de uma indústria de biocombustíveis. Foi o que destacou Flavio Castellari, diretor executivo do Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA), em palestra na Conferência DATAGRO.

Em sua exposição, Castellari mostrou os resultados de recentes missões do Apla por diversas regiões do globo para promover a expansão da energia renovável a partir da biomassa, principalmente proveniente da cana-de-açúcar. Segundo o executivo, foram mapeadas cerca de 280 unidades de produção nas Américas – exceto o Brasil – e no sudeste asiático – metade em cada região, bem como aproximadamente 50 na África, que estão aptas a produzir biocombustíveis, com algumas já operando, especialmente na América do Sul.

De acordo com Castellari, o maior potencial de desenvolvimento nestes novos mercados é a fabricação de biocombustíveis, como, por exemplo, o etanol anidro para adição à gasolina, tendo como alavancas a possibilidade de uso da cana para outro fim, com o propósito de diminuir o excedente de açúcar, bem como a vantagem ambiental frente às fontes fósseis.

“Podemos dizer que existem cerca de 100 países que poderiam ofertar biocombustíveis, que têm capacidade instalada, mas não ainda tecnologia, com a maioria estando abaixo da linha do Equador”, disse. “Para efeito de comparação, cerca de 20 países ofertam hoje gasolina, e Brasil e Estados Unidos respondem por praticamente 85% da produção mundial de etanol.”

Além da questão tecnológica, o executivo salienta que outros desafios para implantação de programas de energia renovável nestas nações são, ainda, a falta de entendimento dos governos locais de como precificar os biocombustíveis na comparação com a gasolina, bem como o mito de que o etanol prejudica os motores.

Por parte do setor privado, Castellari observa que os empresários destes países estão mais abertos para os biocombustíveis, diferentemente de antes, quando procuravam alternativas para moagem da cana somente quando o preço do açúcar estava em baixa.

Moderador do painel, o embaixador João Genésio de Almeida, diretor do departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores (MRE), assinalou que falta marketing para a energia renovável brasileira a partir da biomassa, especialmente o etanol.

Outro participante do painel, Júlio Castro Luna, diretor executivo do Conselho de El Salvador da Agroindústria Açucareira, apresentou o estágio atual da atividade em seu país, destacando que a DATAGRO vem realizando uma análise do setor salvadorenho.


Fonte: O Petróleo