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Moderfrota deve ter déficit de R$ 3 bi ao fim da safra

A Anfavea, associação das montadoras, estima que faltarão R$ 3 bilhões para atender a todos os produtores interessados em aderir ao programa.

A demanda aquecida por financiamento de máquinas agrícolas fará os recursos do Moderfrota, linha com dinheiro do BNDES, se esgotarem antes do término da safra 2018/2019, em junho do ano que vem. A Anfavea, associação das montadoras, estima que faltarão R$ 3 bilhões para atender a todos os produtores interessados. Os R$ 8,9 bilhões destinados ao programa pelo governo federal devem chegar ao fim em março.

Desde julho, início do atual ano-safra, até outubro, R$ 4,1 bilhões foram desembolsados, sobrando R$ 4,5 bilhões para os próximos oito meses da temporada. A Anfavea lembra que os recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste, bastante utilizados por produtores para maquinário, já foram consumidos, e o montante do Banco do Brasil para o Moderfrota está prestes a acabar. “O número de R$ 3 bilhões (de déficit) é bem conservador, considerando o apoio do setor agrícola ao presidente eleito e à nova ministra da Agricultura. Devemos ver mais confiança dos produtores para investir”, diz Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea para máquinas agrícolas e rodoviárias.

Toc-toc

Em janeiro, a Anfavea deve levar à futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina (foto), pedido de novo aporte ao Moderfrota. Não fosse a mudança de governo, esse pleito já estaria sobre a mesa, diz Miguel Neto. Uma solução, adotada em safras anteriores, seria remanejar dinheiro de linhas menos procuradas. “Imaginamos que o governo vai apoiar o setor agrícola, por sua relevância para a economia. Acredito que haverá suplementação do Moderfrota”, afirma.

Despacito

Na pauta da indústria também está o futuro do Moderfrota, já que a equipe de Bolsonaro considera a possibilidade de encolher o BNDES. Uma eventual redução do bolo para o programa poderia ser compensada por maiores investimentos em logística e infraestrutura, que reduziriam o “custo Brasil” e a despesa para produzir.

Mas isso leva tempo, pondera Miguel Neto. “O ideal é manter o Moderfrota até que o custo Brasil caia. Outra opção é fazer isso ao mesmo tempo em que se incentiva a intensificação do uso de tecnologia, garantindo que tenhamos aqui o que é usado nos Estados Unidos”


Fonte: Estadão Conteúdo