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Montadoras na Europa querem combustíveis alternativos para atingir normas de emissões

Postado em 27 de Janeiro de 2020

As fabricantes de veículos da Europa reunidas pela Acea lançaram um plano que identifica dez pontos que devem ser considerados para que a indústria automobilística ajude a reduzir de forma mais eficaz as emissões de CO2 da região, como forma de ajudar a implementar o chamado European Green Deal (Acordo Verde Europeu, em tradução livre). O principal apelo é que os legisladores da Comissão Europeia não se esqueçam de que os biocombustíveis são a solução mais viável e rápida para atingir os objetivos de redução de emissões. O documento contextualiza o cenário atual do mercado de veículos na transição para um transporte neutro em emissões de gases de efeito estufa (com medições do poço à roda, que considera desde a produção do combustível, seu transporte, distribuição até o resultado no cano de escapamento).

Os desafios foram apresentados por Mike Manley durante seu primeiro encontro com a imprensa como presidente da Acea, em Bruxelas (Bélgica), e representam os pontos que a indústria automotiva quer que os legisladores europeus considerem ao definir leis e normas de emissões.

Entre as ações, a Acea sugere a criação de programas que acelerem a implantação de infraestrutura de combustíveis alternativos na Europa, o que pode elevar as vendas de veículos, incluindo automóveis, caminhões e ônibus movidos por combustíveis alternativos e renováveis. A associação se uniu à demais entidades ligadas ao segmento de biocombustíveis (gás natural, biogás, etanol, biometano) em uma declaração conjunta destacando que os objetivos de longo prazo da União Europeia de transição energética dependem não apenas do desenvolvimento de novas tecnologias de eletrificação do powertrain, mas também de soluções com combustíveis alternativos, que já reduzem emissões de forma significativa.

"Primeiro, acreditamos na escolha de todos. Os formuladores de políticas devem ajudar a obter os melhores resultados possíveis mantendo a tecnologia neutra: em outras palavras, sem impor tecnologias específicas ou proibir veículos que ainda possam oferecer reduções de CO2", declarou Manley.

O levante reflete a pressão que o setor automotivo tem enfrentado com os limites impostos pelas normas de emissões, impossíveis de atingir sem grandes volumes de vendas de carros elétricos. O segmento segue com preços elevados e infraestrutura de recarga insuficiente, fatores que acabam inibindo as vendas e colocando em risco a sustentabilidade econômica da indústria.

Adiciona-se a isso o fato de que a Acea estima uma queda de 2% das vendas totais de veículos leves na Europa em 2020, a primeira retração em oito anos, demonstrando um mercado mais fragilizado.

Para a entidade, as novas tecnologias de baixa emissão são caras e permanecerão assim no futuro próximo. Por isso, como uma forma de garantir que os preços mais altos não desacelerem a renovação de frota da Europa, a Acea também pede que sejam criadas ferramentas de incentivo de mercado - consistentes e economicamente sustentáveis - para consumidores finais de automóveis e também de veículos comerciais.

"No momento em que nossa indústria está intensificando os investimentos em veículos de emissão zero, o mercado deve se contrair - não apenas na União Europeia, mas também em todo o mundo. Portanto, a transição para a neutralidade do carbono precisa ser muito bem gerenciada pelos formuladores de políticas", defendeu Manley.

 


Fonte: Automotive Business