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Moody’s concede rating B2 à proposta de emissão da Usina Coruripe

A Moody's concedeu rating preliminar B2 à proposta de emissão de US$ 350 milhões em bônus sêniores da Usina Coruripe, que serão emitidos pela Coruripe Lux, braço financeiro criado com propósito da captação, e garantidos pela Usina Coruripe e pela Coruripe Energetica. Ao mesmo tempo, a Moody's assinou rating provisório B2 ao grupo Usina Coruripe Açúcar e Álcool. A perspectiva dos ratings é estável.

A Moody's informa que os ratings provisórios serão removidos após conclusão da emissão, considerando que não haja qualquer mudança relevante nos documentos da operação revisados pela agência de risco.

A usina anunciou ontem ao mercado externo início de apresentações para investidores nos Estados Unidos e Reino Unido para uma possível emissão de sete anos. Os recursos serão usados em estratégia de administração do passivo da empresa, por meio do pré-pagamento de acordos de financiamento existentes e para outros propósitos gerais. Os encontros terminam no dia 26.

Segundo a Moody's, o rating incorpora a escala do grupo, um dos 10 maiores no Brasil em seu setor, com capacidade de esmagamento de 14,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e utilização de cerca de 99% de sua capacidade, além de amplo acesso à infraestrutura relacionada à cana de açúcar e de logística. A Moody's cita ainda a diversificação geográfica da usina, o que proporciona proteção contra variações climáticas, permitindo escala de produção durante todo o ano. A Moody's comenta também que o rating incorpora a melhora do desempenho de sua dívida e uma queda prevista no peso de sua dívida após a emissão dos bônus propostos.

Por outro lado, a agência pondera que os ratings são limitados pelo cronograma ainda apertado de amortizações, mesmo após a emissão dos bônus e a intrínseca volatilidade no negócio de açúcar e etanol. A Moody's ressalta que, nesse sentido, é esperado que as receitas e o Ebitda da usina permaneçam estagnadas até 2020. Para ter acesso à oferta potencial de cana-de-açúcar local e externa, a companhia terá de realizar investimentos que podem queimar seu fluxo de caixa e exigir aumento da alavancagem.

Após a conclusão do processo de administração de seu passivo, a Moody's espera que o caixa da empresa esteja em R$ 249 milhões e que a dívida de curto prazo em R$ 264 milhões durante o período da colheita de 2017/2018, comparado aos R$ 441 milhões antes da transação. Nesse mesmo período de colheita, a Moody's estima Ebitda de R$ 859 milhões e despesas com juro de R$ 227 milhões e um capex de R$ 497 milhões. A Moody's ressalta ainda que a Coruripe terá um adicional de R$ 773 milhões em dívida vencendo durante os três próximos períodos de colheita (2020 até 2022), em meio a um ambiente de baixos preços da cana-de-açúcar e ambiente de baixo potencial de receitas 


Fonte: Broadcast Agro ( 19/04)