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MPB revoluciona plantio e reintroduz sistemas como a Meiosi e Cantosi

A tecnologia restaura os benefícios da formação de mudas em viveiros, contribuindo para reduzir as ocorrências de pragas e doenças

A introdução das Mudas Pré-Brotadas (MPBs) de cana-de-açúcar chegaram ao mercado nacional há seis anos, trazendo um choque cultural há tempos necessário para a cultura, que plantava cana da mesma forma há mais de 500 anos, desde que Martim Afonso de Souza, donatário das capitanias de São Vicente e Rio de Janeiro, trouxe as primeiras mudas para o Brasil.

A tecnologia restaura os benefícios da formação de mudas em viveiros, contribuindo para reduzir as ocorrências de pragas e doenças na implantação do canavial pelo uso de mudas sadias. Além disso, o sistema possibilita introduzir novas variedades mais rapidamente, reduzir custos de produção (seja de transporte ou na quantidade de mudas que vai para o campo) e replantar falhas com muito mais eficiência.

Outro grande benefício proporcionado pela MPB foi a reintrodução de dois sistemas de plantio há muito tempo esquecidos: a Cantosi e a Meiosi. Embora a primeira também possua suas vantagens, a segunda é certamente a mais difundida atualmente no segmento, por conta de seu melhor custo-benefício.

Na Meiosi, planta-se uma ou duas linhas de cana-de-açúcar (geralmente com MPBs) numa área de reforma e deixa-se um vão entre as linhas, que será plantado com alguma cultura de interesse econômico (soja ou amendoim) e/ou agronômico (crotalária). Após a colheita dessa lavoura, as linhas de cana serão cortadas e desdobradas nessa área adjacente. A taxa de multiplicação dependerá do tratamento dado as linhas de cana e da expertise com o sistema.

Já a Cantosi é o modelo que mais se aproxima de um viveiro tradicional. Se dentro do planejamento do produtor haverá “x” hectares de canaviais a serem reformados, ele deixará um “canto” desse talhão para formar seu viveiro com MPBs. Daí o nome Cantosi. A principal diferença com a Meiosi é que a área de reforma que receberá a desdobra pode ou não estar próxima da Cantosi.

Para o sucesso de qualquer um dos dois sistemas, é vital o uso de mudas sadias e com rastreabilidade garantida. Uma das empresas comprometidas em entregar mudas pré-brotadas de alta sanidade é a BASF, detentora da tecnologia AgMusa. “Muitos pensam que é fácil produzir uma MPB. Basta ir no canavial, extrair a gema e terá uma muda pronta. Mas o que difere a AgMusa de um MPB caseiro é todo o seu processo de rastreabilidade e análise de DNA”, ressalta o engenheiro agrônomo de desenvolvimento de mercado da BASF, Daniel Medeiros.

Ele explica que as mudas AgMusa passam por um longo processo de produção antes de chegar às prateleiras. “Tomamos todo cuidado desde a origem. Pegamos uma gema e fazemos uma multiplicação em laboratório para alcançar um altíssimo grau de limpeza da cana. O processo é chamado de produção de mudas por meristema.”

É apenas dessa forma que o produtor obterá uma muda livre de doenças sistêmicas, como escaldadura e raquitismo “Fora isso, a única forma de se livrar dessas enfermidades é através do tratamento térmico. Entretanto, se eu tenho um nível elevado de raquitismo, por exemplo, terei que fazer até três ciclos de tratamento térmico para reduzir a infestação e, mesmo assim, não chegarei a zerar a doença na planta.”


Fonte: CanaOnline