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“Não temos topografia, mas temos mercado próximo”, diz Luiz Custódio sobre a longevidade da usina Jatiboca

Postado em 30 de Outubro de 2020

A Usina Jatiboca fez 100 anos este mês de outubro com uma história digna de heroísmo e resistência pela manutenção de um dos principais empreendimentos da região de Ponte Nova, numa área de topografia acidentada para o plantio da cana-de-açúcar.

Quando foi criada, em 14/10/1920, em Urucânia, a Jatiboca era a joia do setor sucroenergético de Minas Gerais, instalada na Zona da Mata, a principal região produtora de açúcar e, posteriormente, de etanol do estado. Ela começou a produzir etanol, mesmo antes da edição do Proálcool em 1975 e foi uma das usinas que forneceu o biocombustível para a Fiat Automóveis fazer os testes do primeiro carro a álcool de produção em série do mundo, o Fiat 147.

Hoje a usina sofre por não ter como expandir a produção de cana, já que a topografia da região não favorece. Mas como diz o neto do fundador da usina e ex-presidente da SIAMIG, Luiz Custódio Cotta Martins, a usina tem vantagens como a proximidade de grandes mercados consumidores de Minas Gerais, Espirito Santo e Rio de Janeiro. Isso faz com que permaneça sendo grande empregadora na Região da Zona da Mata e continue a contribuir com seu desenvolvimento econômico e social.

Luiz Custódio lembra também que os fundadores da Jatiboca foram os idealizadores da criação do Sindicato da Indústria do Açúcar de Minas Gerais e, posteriormente, com outras usinas de Minas, ajudaram a criar o Sindicato da Fabricação do Álcool. É muita história!!!

Portal SIAMIG – Como a Jatiboca conseguiu sobreviver a tantas crises enfrentadas pelo setor sucroenergético e ainda com uma topografia tão difícil para a colheita da cana-de-açúcar?

Luiz Custódio – É mesmo de admirar, porque a Zona da Mata era a principal região produtora do estado até a década de 70 e restou somente nossa usina. Já tínhamos uma grande tradição na produção de açúcar, pois meu bisavô fundou a primeira usina de açúcar do estado, a Ana Florência, em 1883, e isso ajudou. Mas conseguimos minimizar a topografia acidentada para o plantio de cana, aproveitando a proximidade com o mercado consumidor, ou seja, nosso preço do açúcar da marca Alvinho, no mercado interno, é muito mais competitivo do que as outras marcas de fora.

Portal SIAMIG – O senhor diria que a estratégia de vendas foi acertada?

Luiz Custódio – Sim, só vendemos nosso açúcar no varejo, nas embalagens de 5 quilos, dois quilos e um quilo, num raio de 200 km da usina, abrangendo algumas cidades em Minas Gerais e Espírito Santo, o que reduz o frete e faz com que tenhamos competitividade, sem concorrência no preço. Hoje 70% da produção da Jatiboca é de açúcar, para abastecimento de pequenas e médias empresas, e apenas 30% de etanol

Portal SIAMIG – Mas vocês também estão próximos dos centros consumidores de etanol?

Luiz Custódio – Isso também nos favorece. Estamos perto de grandes consumidores de etanol como Belo Horizonte e cidades do Rio de Janeiro, para onde escoamos nossa produção. Conseguimos neste caso, também, auferir preços acima dos indicados pela Esalq/USP, que informa diariamente os preços do etanol nos vários mercados do país. Não temos topografia, mas temos mercado próximo.

Quanto ao etanol, sempre fomos também muito arrojados, já que a Jatiboca foi a pioneira na produção do biocombustível em Minas Gerais, arrendando uma destilaria do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) na região, e chegamos a fornecer o produto para a Fiat Automóveis iniciar os primeiros testes do Fiat 147, lançado em 1976.

Portal SIAMIG – E quanto a mão-de-obra, é um diferencial também?

Luiz Custódio – Para superar as crises do setor, investimos na mão-de-obra e profissionalizamos a empresa em 1992, sendo que a família ficou no Conselho. Hoje temos um time de profissionais muito bom, sendo todos, inclusive a diretoria, moradores da região.

Temos, portanto, uma grande responsabilidade quanto a geração de empregos, somando 1.200 colaboradores fixos e 1.900 na safra, com grande influência em todo o desenvolvimento econômico e social de Urucânia, Ponte Nova e região.

Portal SIAMIG – Quais as perspectivas para a usina?

Luiz Custódio - A área de planto hoje é de 12 mil hectares e pretendemos chegar a uma moagem de 900 mil toneladas de cana, atualmente, produzimos cerca de 800 mil toneladas.

Apesar da topografia acidentada, o clima e o solo são bons para a cana, o que garante ganhos de sacarose, além de um bom rendimento industrial.

O planejamento da Jatiboca será sempre o de produzir mais açúcar do que etanol, além de projetos futuros de investimentos na bioeletricidade (energia elétrica do bagaço da cana).

 


Fonte: Gerência de Comunicação da Siamig