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Negociações do agro têm pouco a evoluir entre Estados Unidos e Brasil

São economias complementares no setor, e acordos serão muito difíceis.
O presidente Jair Bolsonaro começa as suas viagens internacionais por um país admirado pelo novo governo, mas que tem pouco a oferecer para o agronegócio brasileiro, pelo menos a curto prazo.
São economias complementares no setor, e as negociações serão muito difíceis.

A complementaridade dos dois países é tão forte que tanto as exportações brasileiras para os EUA como as importações de lá, no setor de alimentos, foram de US$ 1,24 bilhão, nas duas direções em 2018.

O etanol está entre os produtos líderes da pauta entre os dois países, que, mais uma vez, compram um do outro e enviam um ao outro produtos na mesma quantidade e valor. O volume financeiro fica próximo de US$ 700 milhões.

No saldo global do agronegócio, o Brasil ainda leva vantagem em relação aos Estados Unidos, quando incluída a comercialização de produtos como celulose e madeiras.

As exportações totais do agronegócio brasileiro para os americanos somaram US$ 3,5 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 2,7 bilhões no ano passado, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

O setor de carnes, no qual os dois países têm papel importante tanto na produção como na exportação mundiais, há pouco a mudar.

Na área de carne bovina, os pecuaristas dos Estados Unidos não têm muito interesse na abertura do mercado para os brasileiros.

O país ficou quase duas décadas para abrir o mercado americano para a carne “in natura”, mas a perdeu em poucos meses.

No setor de aves, os dois lideram a produção mundial e estão bem com as posições que têm. Já a abertura da carne suína não decolou.

Algumas mudanças poderiam vir do setor sucroenergético, mas também parecem bem distantes e exigiriam um toma lá da cá.

Os americanos reclamam da tarifa brasileira sobre o etanol deles, mas impõem barreiras ao açúcar brasileiro.

O Brasil até concorda com a abertura do mercado de álcool, mas quer, em compensação, o fim das cotas de açúcar, que atualmente dão direito ao Brasil de colocar apenas 170 mil toneladas em território dos EUA.

Fora desse limite, as taxas de importação tornam as exportações brasileiras inviáveis.

O Brasil leva uma forte desvantagem no setor de agroquímicos. As importações brasileiras de inseticidas, herbicidas e fungicidas somaram US$ 710 milhões, enquanto as de adubo atingiram US$ 727 milhões no ano passado.

Já no setor de madeira e de celulose, a vantagem é dos brasileiros. O avanço da floresta plantada no Brasil permitiu que as exportações desses dois produtos atingissem US$ 2,2 bilhões em 2018.

 

 

 


Fonte: Folha de S. Paulo