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Nem só laranja e nem só cana. A soja invade o estado de São Paulo

O estado de São Paulo não é conhecido pela sua alta produção de soja. Outras culturas como a laranja e a cana-de-açúcar possuem muito mais áreas plantadas, ou isso acontecia até agora. Justamente em favor da cultura da cana, o plantio da soja na palhada já faz com que a área plantada de soja no estado de São Paulo ultrapasse um milhão de hectares. A estimativa é que cerca de 500 mil hectares de soja do estado estejam em áreas de reforma do canavial.

Alguns produtores de cana estão utilizando o plantio intercalar da soja, a chamada meiosi. Essa prática nada mais é do que plantar uma linha de cana a cada intervalo médio de 16 metros de soja. Depois que a soja é colhida, são abertos sulcos com cerca de 40 centímetros de profundidade, onde são enterradas mudas da cana colhida. O resultado é um canavial mais produtivo. A meiosi não é considerada uma prática nova, mas foi intensificada nos canaviais de São Paulo a partir de 2015.

Cultivares de soja de ciclo curto (variando entre 110 e 120 dias), se adaptam bem na cultura da cana. O plantio evita que a área fique nua, evitando erosões e melhorando a fertilidade do solo, com a fixação biológica do nitrogênio no solo. A produtividade média da soja está em cerca de 60 sacas/ha, nessa modalidade, com picos de 72 a 75 sacas/ha em algumas regiões do estado. A soja ganhou espaço em substituição do amendoim, pois, o grão possui ciclo menor, uma grande aceitação no mercado, preço fixo no mercado externo e a alta qualidade genética empregada.

Os benefícios da rotação são ainda maiores. Além da fixação do nitrogênio, a rotação com a soja melhora suas propriedades químicas e físicas, e ajuda na descompactação do solo, devido ao sistema radicular pivotante. O custo de preparo de solo pode ser reduzido em pelo menos 30%. O uso alternado das culturas interrompe o ciclo de pragas e doenças e reduz os custos de produção da cana, amortizando o capital empregado e melhorando o aproveitamento da mão de obra na entressafra.

E o emprego da rotação cana-soja pode crescer ainda mais. Atualmente somente cerca de 10% dos canaviais são renovados a cada ano, devido ao alto custo, mas esse número pode dobrar, chegando a 20% de renovação dos canaviais por ano. A semeadura da soja antes da reforma dos canaviais traz benefícios agronômicos nas lavouras e dilui o investimento feito para a cultura da cana.

Por Francisco Henrique 

 


Fonte: Canal Rural