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Nematóides, broca, cigarrinha e Sphenophorus levis roubam a cena no 13º Insectshow

Evento, realizado em Ribeirão Preto/SP, foi palco para debates sobre manejo de pragas e doenças em cana e para o lançamento de novos produtos e da primeira variedade de cana transgênica do mundo
O 13º Insectshow – Seminário Sobre o Controle de Pragas da Cana foi um prato cheio para os profissionais do setor canavieiro nacional, que acompanharam quase 12 horas de muito conteúdo, divididas entre intensos debates sobre o manejo de pragas e doenças em cana e lançamentos de produtos e da primeira variedade de cana transgênica do mundo. O evento, realizado no Centro de Eventos do Ribeirão Shopping, localizado em Ribeirão Preto/SP, reuniu cerca de 650 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento.
 
O Insectshow deste ano teve como foco quatro grandes pragas – Nematoides, Broca-da-cana, Cigarrinha-das-raízes e Sphenophorus levis -, que juntas estão dizimando os canaviais por onde passam. “Estes são perigosos adversários da produtividade agrícola. Agem em silêncio durante as 24 horas do dia e se multiplicam em espantosa velocidade, sendo que, quando nos damos conta, eles já tomaram parte da produção e comeram os lucros”, afirma Dib Nunes Jr., diretor do Grupo IDEA e idealizador do evento.
 
Dib ressalta que, como não há formas de acabar com essas pragas, os profissionais do setor devem aprender a conviver com elas. “Devemos estar atentos e combatê-las com todas nossas armas, sendo que apresentar essas armas aos produtores e usinas é o principal objetivo deste evento.”
 
Em sua avaliação final, o diretor do Grupo IDEA afirmou que o Insectshow 2017 foi de grande valia para o setor canavieiro nacional. “Foram dois dias de muitos debates sobre as melhores formas de se manejar as principais pragas e doenças da cana. Acredito que todos saíram daqui levando novidades, atualizações e reciclagem de conhecimentos para casa.”
 
CTC lança primeira variedade transgênica de cana do mundo 
O ponto alto do 13º Insectshow foi o lançamento da primeira variedade de cana-de-açúcar geneticamente modificada do mundo. Na ocasião, os profissionais presentes no evento puderam obter, em primeira mão, informações sobre o material, desenvolvido pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Além disso, o público pode ver de perto uma touceira da nova variedade. Ao apresentá-la, o diretor do CTC, Sérgio Mattar, afirmou que este é o novo marco da cultura da cana-de-açúcar no Brasil e no mundo.
 
Em seguida, o gerente de negócios do CTC, Ronaldo Onosaki, subiu ao palco para dar mais informações sobre a variedade, que tem como característica principal a resistência à Broca-da-cana. “Ao longo dos próximos anos, vamos lançar diversas variedades transgênicas com diferentes características. Porém, optamos por começar pela resistência a praga mais significativa em cana, atualmente.” Estimativas do CTC apontam que a Broca acarreta cerca de R$ 5 milhões em prejuízos ao setor, anualmente.
 
Batizada de ALTHA20BT, a variedade promete recuperar 60% dos danos causados pela Broca na área agrícola, diminuir em 20% os gastos com o manejo de pragas das unidades e aumentar em 20% a qualidade da extração e fermentação da cana na indústria. “Juntos, esses benefícios equivalem a 22% do EBITDA do setor ou R$8 reais por toneladas de cana.”
 
Outro benefício decorrente do uso da ALTHA20BT é uma maior tranquilidade aos profissionais, pois a cana estará protegida do ataque da Broca durante 24 horas por dia, sete dias na semana e 365 dias no ano. “Além disso, a ALTHA20BT utiliza menos gemas por metro no plantio, que cai de 28 (caso utilize uma cana brocada com 40% de I.I) para apenas 15 mudas por metro.”
 
Onosaki apresentou, ainda, alguns resultados de ensaios conduzidos com a variedade. Uma análise conjunta dos dados do Centro-Sul em áreas não controladas revelou que variedades convencionais possuem Índices de Infestação (I.I) médios de 7,6%. A variedade transgênica do CTC apresentou um I.I de 0,14%. Uma redução de 98,5%. Já as médias em TCH entre os materiais saltaram de 95 para 105. “Isso resulta em um ganho de R$ 1.400,00 por hectare.”
 
Por fim, Onosaki falou sobre o posicionamento da variedade, que é recomendada para todo o Centro-Sul, com época de colheita de junho a setembro e para ambientes de produção A, B e C, sendo que, em locais mais secos, será necessário adotar irrigação. “Como características, ela possui adaptabilidade à mecanização e mais perfilhos e gemas por hectare.”
 
Mesmo invisíveis, nematoides são responsáveis por grandes perdas de produtividade
Um dos assuntos mais debatidos ao longo dos dois dias de evento foram os nematoides. Diversos consultores, entre eles Jaime Maia dos Santos e Weber Valério, abordaram o tema em suas palestras.
 
Segundo eles, os nematoides estão disseminados por, praticamente, todas as áreas de cultivo de cana-de-açúcar do Brasil. Estimativas apontam que em mais de 70% dos canaviais ocorra, ao menos, uma espécie de grande importância. Entretanto, em regiões onde predominam solos arenosos, esse número pode ser superior a 90%. Entre os nematoides mais problemáticos para a cultura no país, destacam-se os das galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica) e os das lesões radiculares (Pratylenchus zeae e P. bracyurus).
 
Uma vez que parasitam o sistema radicular, bulbos e tubérculos, os nematoides podem causar grandes danos ao sistema radicular da cana, que se torna deficiente e pouco produtiva. Em casos de variedades muito suscetíveis e níveis populacionais muito altos, as perdas podem chegar a até 50% da produtividade. Estudos indicam que o Brasil perde, anualmente, 15% de sua produção por causa dos nematoides.
 
Em função da magnitude dos prejuízos, diversas empresas estão focando seus esforços no lançamento de produtos que controlem essa praga. É o caso da FMC Agricultural Solutions, que lançou durante o evento o primeiro bionematicida registrado para cana do mercado – Quartzo – e reforçou seu nematicida químico Marshal Star; e da Adama, que apresentou seu nematicida Nimitz. A IHARA também falou sobre sua solução para o combate de nematoides: o Pottente.
 
Empresas lançam soluções inovadoras para o combate as pragas e doenças da cana 
Outro assunto bastante debatido ao longo do evento foi o Sphenophorus levis, também conhecido como Bicudo-da-cana, cujas larvas danificam os tecidos da cana provocando perdas de mais de 30 toneladas de cana por hectare ao ano. Dentre os produtos apresentados para o controle desta praga se destacam o Regent Duo, da BASF, inseticida que apresenta alta eficácia para o manejo do Sl, podendo ser utilizado tanto em plantios novos quanto em cana soca; e o Engeo Pleno, da Syngenta, que ainda possui efeito agregado em Cigarrinha-das-raízes. Além de defensivos para o controle desta praga, houve também novidades em tecnologia de aplicação lançadas pela Herbicat.
 
A Broca-da-Cana também foi bastante discutida. Estimativas apontam que a cada 1% de colmos atacados há perdas de até 78 kg de açúcar e de 50 litros de etanol por hectare. Durante o evento, vários produtos foram lançados/reforçados para o manejo da praga, como o Nomolt 150, da BASF; o Revolux, da Dow AgroScience; e o Altacor, da DuPont do Brasil.
 
De praga secundária a uma das mais danosas a cultura, a Cigarrinha-das-raízes também teve seu espaço. Pensando nisso, a Bayer CropScience apresentou ao público seu inseticida Curbix, eficiente ferramenta para o combate a praga.
 
Por fim, a Koppert do Brasil apresentou seu defensivo biológico para a cana-de-açúcar; a Strider falou sobre sua tecnologia de monitoramento de pragas e a 

e a Oxiquímica abordou o tema Manejo Sustentável de Doenças da cana através do Difere - 1º Fungicida Protetor e Bactericida com registro para cultura da cana de açúcar e que teve seu lançamento oficial no evento InsectShow. Difere um novo e ótimo caminho para o manejo de controle da estria vermelha e complexo de doenças.


Fonte: Assessoria de Imprensa