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‘No setor de etanol, quem fizer o dever de casa vai superar a crise’

Postado em 11 de Maio de 2020

Para Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho, segmento deve retomar tendência de crescimento após período de instabilidade, mas medidas de apoio são necessárias neste momento

A queda nos preços do petróleo e a forte redução de 50% da demanda de etanol por causa do isolamento social têm causado muitos prejuízos ao setor sucroenergético. Mesmo com o cenário de crise, o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco, aposta na maior eficiência do biocombustível a partir do cereal e no planejamento do setor para superar esse momento turbulento.

Nolasco foi o entrevistado do programa Direto ao Ponto deste domingo, 10. Ele contou como o setor está atuando para enfrentar a crise. Apesar do otimismo, também reforçou a importância de o governo ajudar a cadeia produtiva a minimizar perdas.

“A diminuição na demanda e redução da competitividade do etanol nos acendeu a luz no momento de atenção de refazer o dever de casa, diminuir custos aumentar a produtividade esperando esse momento difícil acabar”, disse.

O presidente da Unem citou vantagens do milho nessa equação, como a produtividade. Segundo ele, uma tonelada do grão está rendendo entre 420 e 430 litros de etanol, enquanto a produtividade da cana-de-açúcar é, em média, de 90 litros por tonelada. Nolasco ainda lembra os múltiplos uso do milho como o DDG – sigla em inglês para grão seco de destilaria, um subproduto do processamento do cereal -, por exemplo, que rende uma receita extra para o setor.

 

“Temos usinas que têm uma musculatura para atravessar este momento, sobretudo aquelas de produção e dedicação exclusiva ao etanol de milho. Então, acreditamos que, realmente, quem fizer o dever de casa vai sair lá na frente”, disse.

Um outro diferencial do milho, conforme o dirigente da Unem, são as vendas antecipadas do grão. Mato Grosso, no período da segunda safra em 2019, já tinha 42% do total negociados e, no mesmo período deste ano, já registra vendas acima de 65% do total, apontou.

Guilherme Nolasco ainda disse que na região Centro-Sul a queda da demanda pelo etanol está sendo compensada em parte com o abastecimento do arco Norte e Nordeste. “Uma região que naturalmente vinha sendo abastecida pelo etanol importado”.

Sobre as perspectivas de melhoria para o mercado de etanol, o presidente da Unem adiantou que ainda é muito cedo para fazer uma análise concreta sobre a retomada de consumo do combustível, mas acredita em uma normalização a partir do segundo semestre. “A gente espera que até agosto, setembro, o setor volte a normalidade”, afirmou.

Mercado

Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revelam que o percentual do etanol de milho chegou a 4% de toda a produção do biocombustível em 2019. Em 2015, a proporção era de 0,4%. A Unem aponta uma projeção de crescimento de 20% em oito anos.

Socorro ao setor

Embora existam perspectivas mais otimistas por parte da Unem, Nolasco enfatiza a importância do anúncio de medidas pontuais para socorrer o setor sucroenergético nessa crise. Ele ainda acredita que são viáveis a isenção do PIS/Cofins sobre o etanol, o lançamento da linha de crédito para estocagem e até o aumento da Cide sobre a gasolina para dar competitividade ao biocombustível.

Na última quinta- feira, 7, porém, o presidente Jair Bolsonaro descartou a medida. “Não acho justo agora aumentar a Cide para salvar o setor. Estamos em um momento de perda de empregos, redução de salários. Minha política é de não aumentar imposto”, disse Bolsonaro.