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Norte-americanos colhem e plantam cana inteira em canteiros e não em sulcos

Anualmente, os Estados Unidos da América (EUA) produzem em torno de 35 milhões de toneladas (mi/ton) de cana-de-açúcar. Muito pouco, comparado ao Brasil com sua produção superior a 600 milhões de toneladas. No entanto, o método de cultivo desenvolvido no estado da Louisiana, segundo maior produtor norte-americano, só perde para a Flórida, chamou a atenção de Luiz Nitsch, diretor técnico da Sigma Serviços Automotivos, que esteve na região para conhecer de perto esse processo.

Nitsch palestrou no 21º Seminário de Mecanização e Produção de Cana-de-Açúcar, realizado pelo Grupo IDEA, nos dias 27 e 28 de março em Ribeirão Preto, SP, e apresentou detalhes do cultivo de cana norte-americano.Contou que ficou impressionado com a operação. Um dos processos que mais chamou atenção é a colheita dos viveiros e, posteriormente, o plantio da cana em áreas comerciais, em que é utilizado um sistema com canas inteiras.

Ele explica que a colheita dos viveiros é feita com uma cortadora de cana inteira, cuja principal vantagem é a ofensa mínima as gemas. “Como não há dano, todas as gemas se tornam viáveis. Dessa forma, eles gastam de 8 a 12 toneladas de cana por hectare (ton/ha) no plantio, quase metade da quantidade utilizada no Brasil, que pode chegar a 22 ton/ha.”

Segundo ele, a forma peculiar de colher e plantar a cana é impressionante e poderia muito bem ser utilizada no Brasil. “As máquinas são extremamente simples. Sem sofisticação ou eletrônica embarcada. Além disso, são muito fáceis de operar”, relata. “É uma pena que não as tenhamos conhecido antes. Trabalho há quarenta anos com cana-de-açúcar e nunca havia visto nada parecido. Acabamos nos espelhando muito na Austrália para mecanizar o Brasil e esquecemos que nossos vizinhos norte americanos também produzem cana.”

Nitsch conta que, durante o processo da colheita, a cortadora vai deitando as canas ao longo da linha, que serão pegas por uma carregadeira convencional, que as colocará na caixa das plantadoras para que seja realizado o plantio. Essa máquina, por sua vez, apenas preencherá os canteiros com as canas inteiras. Neste sistema, é possível plantar 1 hectare por hora.

O profissional destaca que o uso de canteiros em detrimento dos sulcos de plantio é outra bela sacada dos americanos, pois a colheita da área comercial – em que são utilizadas colhedoras iguais as nossas – será melhorada, já que o disco de corte não entrará em contato com a terra, minimizando o desgaste das faquinhas e levando menos impurezas para a indústria. “Por conta disso, os americanos nem precisam lavar a cana. Apenas as sopram.”

Para Nitsch, a adoção dessas máquinas e, consequentemente, desse sistema de colheita e plantio resolveria parte dos problemas das usinas e fornecedores brasileiros, que tem dificuldades na obtenção de mudas viáveis. “O Brasil não possui um sistema que agrade todo mundo. Hoje, mesmo colhedoras adaptadas com kit mudas danificam demasiadamente as gemas, fazendo com que a quantidade de cana utilizada no plantio seja exorbitante.”

Além disso, aponta que a cortadora, uma vez adaptada, poderia colher cana em áreas com topografia hostil, muito comuns no nordeste brasileiro. “Seria a solução que a região precisa, já que não existe máquina no mercado nacional que faça esse tipo de trabalho.”

 

 

 


Fonte: Cana Online