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Nos EUA, colheita e plantio de canas inteiras diminui consumo de mudas e agiliza operação

 

Máquina utiliza de 8 a 12 ton/ha e consegue plantar 1 hectare por hora

Anualmente, os Estados Unidos da América (EUA) produzem em torno de 35 milhões de toneladas (mi/ton) de cana-de-açúcar. Em 2018, o valor exato foi 34.757 mi/ton, maior volume processado desde 2002, quando o montante atingiu 35.553 mi/ton. A Flórida é o maior produtor nacional, seguida dos estados de Louisiana, Texas e Havaí. Em 2016, a região produziu cerca de 17.6 mi/ton, praticamente metade da produção nacional daquele ano.

Em Louisiana, a cana-de-açúcar é cultivada há mais de três séculos, sendo considerada a cultura de maior sucesso da história do estado. A indústria do açúcar é vital para a economia local, com um impacto econômico anual de US$ 2 bilhões para os produtores independentes e fábricas de açúcar, gerando também um valor econômico global de US$ 3 bilhões.

Atualmente, a cana-de-açúcar ocupa mais de 400 mil acres de terra em Louisiana, divididos entre 22 distritos. Ao todo, cerca de 17 mil pessoas estão envolvidas na produção e processamento da planta no estado, que conta com um total de 11 fábricas de açúcar. Segundo dados da American Sugar Cane League, o forte avanço da cultura na região se deu de forma mais significativa a partir do momento em que o retorno financeiro de outras culturas tradicionais - como arroz e soja - registrou forte queda.

A produção em Louisiana tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Em 2017, foram processados pouco mais de 15 mi/ton, segundo maior volume da história do Estado. Esse aumento na produção se deve, principalmente, a adoção de variedades modernas e de alto rendimento.

Entretanto, os produtores locais também têm como característica o investimento em maquinário e em novas técnicas produtivas. Um dos processos que mais chama atenção é a colheita dos viveiros e, posteriormente, o plantio da cana em áreas comerciais, em que é utilizado um sistema com canas inteiras.

Recentemente, o diretor técnico da Sigma Serviços Automotivos, Luiz Nitsch, esteve na região para conhecer de perto esse processo. Nos dias 27 e 28 de março, o profissional participará do 21º Seminário de Mecanização e Produção de Cana para contar detalhes desse sistema para os participantes do evento, realizado anualmente pelo Grupo IDEA em Ribeirão Preto/SP.

Nitsch diz que ficou impressionado com a operação. Segundo ele, a forma peculiar de colher e plantar a cana é impressionante e poderia muito bem ser utilizada no Brasil. “As máquinas são extremamente simples. Sem sofisticação ou eletrônica embarcada. Além disso, são muito fáceis de operar”, relata. “É uma pena que não as tenhamos conhecido antes. Trabalho há quarenta anos com cana-de-açúcar e nunca havia visto nada parecido. Acabamos nos espelhando muito na Austrália para mecanizar o Brasil e esquecemos que nossos vizinhos norte americanos também produzem cana.”

Ele explica que a colheita dos viveiros é feita com uma cortadora de cana inteira, cuja principal vantagem é a ofensa mínima as gemas. “Como não há dano, todas as gemas se tornam viáveis. Dessa forma, eles gastam de 8 a 12 toneladas de cana por hectare (ton/ha) no plantio, quase metade da quantidade utilizada no Brasil, que pode chegar a 22 ton/ha.”

Nitsch conta que, durante o processo da colheita, a cortadora vai deitando as canas ao longo da linha, que serão pegas por uma carregadeira convencional, que as colocará na caixa das plantadoras para que seja realizado o plantio. Essa máquina, por sua vez, apenas preencherá os canteiros com as canas inteiras. Neste sistema, é possível plantar 1 hectare por hora.

O profissional destaca que o uso de canteiros em detrimento dos sulcos de plantio é outra bela sacada dos americanos, pois a colheita da área comercial – em que são utilizadas colhedoras iguais as nossas – será melhorada, já que o disco de corte não entrará em contato com a terra, minimizando o desgaste das faquinhas e levando menos impurezas para a indústria. “Por conta disso, os americanos nem precisam lavar a cana. Apenas as sopram.”

Para Nitsch, a adoção dessas máquinas e, consequentemente, desse sistema de colheita e plantio resolveria parte dos problemas das usinas e fornecedores brasileiros, que tem dificuldades na obtenção de mudas viáveis. “O Brasil não possui um sistema que agrade todo mundo. Hoje, mesmo colhedoras adaptadas com kit mudas danificam demasiadamente as gemas, fazendo com que a quantidade de cana utilizada no plantio seja exorbitante.”

Além disso, ele aponta que a cortadora, uma vez adaptada, poderia colher cana em áreas com topografia hostil, muito comuns no nordeste brasileiro. “Seria a solução que a região precisa, já que não existe máquina no mercado nacional que faça esse tipo de trabalho.”

Para conhecer em mais detalhes a operação de plantio e colheita de canas inteiras no estado americano de Louisiana não perca o 21º Seminário de Mecanização e Produção de Cana. Conheça a programação completa do evento no site www.ideaonline.com.br. As inscrições poderão ser realizadas até 26 de março.

 

Serviço
21º Seminário de Mecanização e Produção de Cana
Data: 27 e 28 de março de 2018
Local: Centro de Eventos Taiwan de Ribeirão Preto/SP
Mais informações: (16) 3211-4770

INSCREVA-SE AQUI

 

 

 


Fonte: CanaOnline