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Novo tempo para o açúcar e o álcool

Vem da área rural do Triângulo Mineiro o anuncio do retorno de investimentos privados a Minas Gerais, num dos setores mais decisivos para o crescimento da atividade econômica no estado, a indústria do açúcar e álcool.

 Duas usinas de grande porte desativadas há cerca de quatro anos começaram a ser retomadas nos municípios de Canápolis e Capinópolis. A mudança de cenário é significativa, da paralisação de máquinas para o replantio em campos que devem alcançar 10 mil hectares, no seu conjunto, com a criação de pelo menos 5 mil empregos.

 O que foi sinônimo de crise e grave dificuldade de desempenho da indústria sucroenergética, diante do fechamento no vermelho em 2014, 2015 e 2016, da produção de bens e serviços de Minas, medida pelo PIB, agora traz um cenário de renascimento local. E confirma a tendência de expansão dos produtores.

 Para Mário Campos, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), a reativação das duas usinas adquiridas em leilão da massa falida da empresa Lajinha Agroindustrial, do grupo João Lyra, três meses atrás, reflete momento importante do crescimento da produção. As duas unidades podem ofertar tanto açúcar quanto álcool e atuar no fornecimento de energia limpa e renovável.

 “As empresas já começaram a trabalhar nas áreas das usinas e a retomada delas demonstra que, em Minas, o setor de açúcar e álcool se tornou polo atrativo de investimentos”, afirma o presidente da Siamig.  Mário Campos observa que a boa notícia se deve a uma política inteligente de redução do ICMS que foi negociada em Minas – hoje, as empresas pagam a segunda menor alíquota do imposto no país -, à simplificação dos processos burocráticos relacionados ao meio ambiente, e ao fato de o estado ter se confirmado na posição de segundo maior mercado de combustíveis do Brasil.

 A usina batizada de Canápolis foi arrematada pelo grupo CMAA (Companhia Mineira de Açúcar e Álcool) por R$ 133,86 milhões. Com 6.048,86 hectares, a unidade tem 24 imóveis e capacidade inicial de moagem de 1,85 milhão de toneladas por safra, o grupo dará início neste ano à plantação de cana-de-açúcar e vai readequar a fábrica para processar a matéria-prima a partir de 2020. O número de empregos está estimado em 5 mil diretos e indiretos na etapa inicial, de acordo com o presidente da CMAA, Carlos Eduardo Turchetto Santos.

 “A reativação vai trazer grande benefício tanto para o município quanto para quem vive em Canápolis e região”, afirma Eduardo Santos. O investimento na usina de Capinópolis, por sua vez, representa a chegada a Minas do grupo paraibano Japungu/CRV, produtor com tradição em açúcar e álcool também em Goiás, onde tem filial. A compra atendeu à política de crescimento do grupo, que pagou R$ 206,3 milhões pela unidade do Triângulo, que ocupa área de 3.210,44 hectares e tem 17 imóveis.

 Os investimentos em Capinópolis devem alcançar R$ 95 milhões até o início da moagem de cana, previsto para 2020. As contratações foram abertas. Também importante destacar, como diz o presidente da Siamig, que toda a terra de propriedade das usinas será recomposta e isso implica gastos de R$ 6 a R$ 7 mil por hectare plantado. “São usinas renascendo, a rigor, do zero, nas mãos de dois grupos consolidados”, afirma. A geração de empregos é outro fator essencial: são estimadas 1 mil vagas para cada 1 mil toneladas de cana moída.

4,2 milhões de toneladas foi a produção de açúcar em Minas Gerais no ano passado, maior volume da história do setor

Safra promissora

A safra 2018/19 de cana-de-açúcar, que começa em abril, deverá alcançar 64 milhões de toneladas nas previsões da Siamig. Considerados os projetos de expansão da produção e da produtividade nos próximos anos, a expectativa do setor é de passar a moer cerca de 80 milhões de toneladas da matéria-prima por ano. Na safra encerrada em fevereiro, surpreendeu o aumento da eficiência da plantação e da quantidade de sacarose por tonelada de cana, o chamado ATR.

Investir por quê?

Não se nega a necessidade de redução da taxa básica de juros da economia pelo Banco Central, cortada para 6,5% ao ano, em favor dos investimentos. No entanto, quando se aprofunda nessa questão, como tem alertado o presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, a questão é rever o spread bancário, aquela diferença entre o que os bancos pedem para emprestar e o que pagam pelo dinheiro aplicado. “O que nos é cobrado continua em níveis predatórios, sufocando os setores produtivos e inibindo os investimentos”, diz Machado Júnior.


Fonte: Estado de Minas - coluna Marta Vieira