Clipping

O fogo não combina mais com a cana

Na maioria das vezes, o fogo acomete uma cana que ainda não está no ponto ideal de colheita

A maior parte do setor canavieiro já virou a chave para a mecanização da colheita e abandonoua prática da queima. Tomando o estado de São Paulo como exemplo, praticamente 100% da colheita é de cana crua e feita com o uso de máquinas, seguindo direcionamento do protocolo “Etanol Mais Verde”, que deu continuidade ao Protocolo Agroambiental de 2007. Esse novo pacto, assinado em junho de 2017, conta com 10 diretivas técnicas que devem ser seguidas pelas usinas e fornecedores signatários. Entre elas, destacam-se a eliminação da queima e a prevenção e combate aos incêndios florestais. As signatárias do protocolo são responsáveis por, aproximadamente, 98% da produção paulista. São 4.819.860 ha (23,5% da área agricultável do Estado) compromissados com boas práticas agroambientais.

De acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), na safra 2017/18, apenas 45.500 hectares de cana tiveram solicitação para queima como método pré-colheita, número que corresponde a menos de 1% da área colhida naquela safra. Lembrando que essa queima é controlada e diferente de incêndio. O fogo é colocado de madrugada - longe das áreas urbanas -, conta com a presença de carro pipa e requer permissão da CETESB.

Giuseppe Eduardo Zermo, gerente de Meio Ambiente da Raízen – maior grupo sucroenergético do mundo, com 26 unidades –, salienta que nos últimos anos, visando a atender as legislações vigentes e protocolos agroambientais, os empresários do setor já mecanizaram totalmente seus processos de colheita. “Hoje, as colhedoras tomaram os canaviais e colhem, com muito mais eficiência, canas cruas do que queimadas. Além disso, colher uma cana queimada implicará em maiores quantidades de impurezas minerais na indústria.”
Outro prejuízo ocasionado pela queima é relacionado a quedas de produtividade do canavial. Na maioria das vezes, o fogo acomete uma cana que ainda não está no ponto ideal de colheita. Esta, por sua vez, terá que ser colhida poucos dias após a queima para que não haja inversão do açúcar ou contaminação do caldo. “Às vezes, essa cana ainda iria maturar por dois ou três meses no campo e ter sua colheita apenas no final da safra. Com a queima, ela terá que ser colhida antes e com baixo teor de sacarose”, afirma Zermo.

Caso o incêndio ocorra numa área de palhada, em que a cana já foi colhida, os prejuízos também serão significativos. Se os tratos culturais já tiverem sido feitos, estes serão perdidos no meio do fogo, que também irá atrasar a brotação ou, até mesmo, impedir que ela ocorra.

E ainda há a questão dos benefícios proporcionados pelo colchão de palha que fica sobre o canavial após a colheita. Zelmo ressalta que as usinas se beneficiam grandemente dessas características agronômicas, como maior conservação e retenção de umidade do solo; ciclagem de nutrientes; aumento do estoque de carbono; controle de plantas daninhas e aumento da atividade biológica. Por conta disso, queimar uma área de palhada também não faz o menor sentido.


Fonte: CanaOnline