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O setor sucroenergético se mantém como um grande empregador e gerador de renda

Na região Centro-Sul, setor reduz a quantidade, mas melhora a qualidade das vagas oferecidas. No Nordeste, a cana volta a ter grande peso social

Era comum em décadas passadas, que uma usina sucroalcooleira contasse com mais de cinco mil funcionários. Nos anos de 1990, a agroindústria canavieira emprega cerca de três milhões de pessoas. O tempo passou, a indústria foi automatizada, os canaviais mecanizados, as usinas se transformaram em unidades sucroenergéticas. E, hoje, as 370 unidades em funcionamento geram em torno de 800 mil empregos diretos, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP). Ao contar os empregos indiretos (empresas fornecedoras de produtos e serviços para o setor), esse número beira a um milhão de vagas de trabalho geradas pela cana-de-açúcar.

Na região Centro-Sul, responsável por 90% da cana produzida no país, a quantidade de empregos caiu, mas melhorou a qualidade e a remuneração das vagas oferecidas. Por conta disso, a cadeia sucroenergética é responsável por 8% de todos os empregos formais gerados no agronegócio nacional. “Houve uma transformação no setor relacionada à qualidade dos empregos. Com a mecanização, surgimento de novas usinas e maior organização e profissionalização do setor, houve mais demanda por trabalhadores com maior qualificação”, salienta Leandro Gilio, pesquisador do Cepea. E esses trabalhadores recebem salários mais altos que os concedidos na década passada - de acordo com o Cepea, o rendimento do setor varia de R$ 1,2 mil a R$ 6,3 mil, de acordo com o tempo de estudo dos trabalhadores.

Um diferencial do setor sucroenergético para os demais setores do agro é a alta taxa de carteira de trabalho assinada, 95%. Já na agroindústria como um todo, esse percentual só chega a 58%.  O pesquisador explica que o uso de equipamentos exige qualificação técnica na colheita da cana, quanto porque essa atividade está muito ligada à atividade industrial (produção de açúcar e etanol), a qual, por si só, já registra um nível de formalização maior. Além disso, como o setor primário é altamente relacionado com as indústrias, há uma maior tendência à contratação de trabalhadores de modo formal”, detalhaGilio, dizendo que, por isso, a diferença do nível de formalização também é grande quando se olha apenas a atividade agrícola da cana. Nesse caso, 80% dos ocupados pelo setor sucroenergético têm carteira assinada. Essa taxa, porém, cai para 17% quando se analisa a agricultura brasileira de modo geral.

GERADOR DE EMPREGO E RENDA

Nas diversas regiões canavieiras, o setor sucroenergético tem relevante papel na economia. É o que ocorre com o Triângulo Mineiro. Levantamento feito pelo SEBRAE-MG, em parceria com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (SIAMIG), apurou que atualmente, 28% dos estabelecimentos industriais presentes nos onze municípios selecionados para o estudo estão relacionados com a atividade sucroenergética.

Para obter este diagnóstico, o SEBRAE-MG analisou dados do complexo de cana-de-açúcar da Bunge Açúcar & Bioenergia, Usina Cerradão, Usina Coruripe, Delta Sucroenergia e Bionergética Aroeira, que juntas possuem 12 unidades produtoras presentes nas cidades de Campo Florido, Carneirinho, Conceição das Alagoas, Conquista, Delta, Frutal, Itapagipe, Iturama, Limeira do Oeste, Santa Juliana, Tupaciguara, e informações secundárias, divulgadas por fontes oficiais de informação como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ministério da Fazenda de Minas Gerais, União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e SIAMIG.

A pesquisa mostra que o estado representa 9% do total de usinas e da capacidade instalada de moagem do País. Ao todo, o Brasil possui 370 usinas, 34 delas presentes em 26 munícipios de Minas Gerais e 20 unidades no Triângulo Mineiro. A produção de cana ocupa uma área de 950 mil hectares plantados no estado.

Só na safra 2017/18 foram produzidos 641 milhões de toneladas de cana no Brasil, sendo 65 milhões na região mineira, o que consolida o estado como o terceiro maior produtor de cana do país (11% do mercado).

Segundo o SEBRAE, em 2016, o setor mineiro contou com cerca de 174 mil trabalhadores diretos e indiretos. Dos 35 mil empregos diretos gerados no estado, 15 mil estão nos municípios sob influência das 12 usinas analisadas. Em comparação com o setor industrial, o setor de cana responde por 36,9% do total de empregados formais dos 11 municípios, o equivalente a 93% dos salários pagos no período. Considerando as empresas de todos os portes e setores, o setor foi responsável por quase 51% do total das remunerações pagas nesses municípios.

Outro ponto analisado foi a geração de impostos. Segundo o estudo, a geração de imposto exerce papel fundamental para a movimentação econômica e social de uma região. Em 2016, o Valor Adicional Fiscal (VAF) gerado pelas usinas analisadas somou R$ 1,8 bilhões, o que correspondeu a 17,4% do registrado pelos municípios selecionados no mesmo período.

O PESO SOCIAL DA CANANO NORDESTE

De acordo com o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), o setor gera 300 mil empregos no Nordeste, sendo que, as 13 unidades em atividade em Pernambuco, contrataram na safra 2018/19, quase 70 mil trabalhadores.

“É um emprego que se caracteriza pela empregabilidade formal e que oferece pisos salariais, tanto nas atividades agrícolas, quanto na indústria e no transporte, superiores ao salário mínimo”, confirmou o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, lembrando que, por conta disso e pelo fato de não estar limitado às regiões metropolitanas, o setor sucroenergético contribui com o desenvolvimento nacional. “Os trabalhadores da cana atuam sobretudo no interior dos estados, fazendo com que haja cada vez mais circulação de mão de obra e fortalecendo a interiorização do desenvolvimento”, pontuou Cunha.

O aumento de desemprego no país, as condições de topografia acidentada, principalmente, no sul de Pernambuco e norte de Alagoas, dificultando a mecanização, além da legislação federal que possibilita para até 2030 aqueima controlada em áreas não mecanizáveis, levam o setor nordestino se manter como um importante empregador, tendo um relevante peso social.

 


Fonte: CanaOnline