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Odebrecht adiará assembleia de credores para março

Postado em 29 de Janeiro de 2020

As divergências entre a Odebrecht e parte de seus credores vão forçar o comando da empresa a pedir nesta quarta-feira (29) o adiamento da assembleia de análise do plano de recuperação da companhia para março.

Nesta terça-feira (28), a Atvos - subsidiária da Odebrecht que cuida dos negócios de etanol e açúcar - suspendeu a assembleia que teria com credores. A empresa negocia um acordo de recuperação separado da controladora. A reunião só será retomada no dia 27 de março.

Segundo executivos envolvidos nas negociações entre a Odebrecht e seus credores, por conta do Carnaval, a assembliea da empresa, que estava prevista para quarta-feira, deve ficar para o dia 18 de março.

Há ainda muitas divergências entre credores e a empresa, o que impede a aprovação de um acordo. Os credores da construtura aceitarão o adiamento. Um pessoa que acompanha as conversas disse ao GLOBO que as negociações com os bancos, os maiores credores da companhia, não evoluíram. Os bancos tentaram uma negociação extrajudicial com o grupo, mas essa tentativa também fracassou.

Segundo a fonte, os bancos públicos colocam os maiores obstáculos. A Caixa que não tem ações da petroquímica Braskem como garantia de sua dívida - os demais bancos têm essa garantia - estaria dificultando as conversas com os representantes da Odebrecht.

A Caixa tem pouco mais de R$ 4 bilhões em dívidas a receber. A Caixa chegou a pedir a transformação da recuperação judicial em falência, o que foi negado pela Justiça paulista. Procurada, a Caixa ainda não se pronunciou.

O Banco Nacional de Desenvovimento Econômico e Social (BNDES), com débitos de R$ 10 bilhões, também dificulta as negociações e quer que a Atvos, que pediu recuperação judicial em separado, seja incorporada à recuperação judicial do grupo. Procurado, o BNDES ainda não se posicionou.

Assim, o plano da Odebrecht fica mais distantes dos objetivos iniciais da empresa que, ao entrar com a maior recuperação judicial da História do país, de R$ 98,5 bilhões, espererava ter o plano aprovado ainda em 2019. 

O plano apresentado, contudo, sempre foi considerado genérico: não estabelecia quais ativos seria vendidos, não criava parâmetros mínimos de pagamento e nem de prazo: apenas estabelecia que todo o lucro da empresa, após um desconto do custeio da holding, seria utilizado para pagar as dívidas do grupo. O prazo total para pagamento de dívidas chega a 50 anos. O plano genérico desagradou parte dos credores, em especial os bancos públicos.

Em dezembro, quando estavam previstas as assembleias, o ambiente na empresa piorou com uma novo capítulo da "guerra" entre Marcelo Odebrecht e seu pai. O filho, que passou anos preso por causa da Operação Lava-Jato, acabou demitido da empresa por justa-causa. Após a demissão, a Odebrecht iniciou uma investigação interna sobre sua atuação na empresa.