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“Os CBios são um novo produto para o setor de biocombustíveis”, garante Paulo Costa, do MME

O mercado de créditos de descarbonização (CBios) ainda não está oficialmente regulado, mas isso é apenas uma questão de tempo.

Segundo o analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Costa, todos os mecanismos que dão sustentação e credibilidade para o mercado de papéis que acompanha o programa RenovaBio estão sendo alinhados. Nesse processo, ainda de acordo com ele, há representantes do setor financeiro, das usinas e das distribuidoras.

Costa foi entrevistado nos bastidores do 11º Congresso Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP), pelo site Notícias Agrícolas.

“O RenovaBio é uma política muito construtiva e que precifica a externalidade positiva dos biocombustíveis, que é a redução das emissões de gases de efeito estufa”, afirma. “[O CBio] é um instrumento financeiro, que vai ser negociado e precificado no mercado financeiro”.

Ele detalha como esse mercado funcionará ao longo da entrevista.

Como esse papel vai funcionar? A gente sabe que as usinas vão emitir CBios à medida em que façam vendas de etanol. Elas vão ter um prazo para negociar? Elas podem segurar esse CBio e deixar para 'jogar' para as distribuidoras mais para a frente? Ou, assim que elas fizerem a venda, elas devem 'jogar' o papel?

O papel é de posse do produtor e ele tem o prazo de dois meses para a emissão. Isso significa que ele emite, mas o papel fica na posse do produtor. Fica a cargo da estratégia do produtor disponibilizar ao mercado a qualquer momento, ou seja, negociar [os CBios] junto a qualquer tipo de especulador, a qualquer tipo de investidor e aos distribuidores, que são a parte mais interessada nesse ativo. O tempo de negociação é dado ao produtor de biocombustíveis.

O emissor [de CBios] é a usina. A usina tem dois meses para repassar esses papéis?

Não. Ela tem dois meses só para a emissão. O CBio é da usina e ela pode vender a qualquer momento. Os drivers que vão fazer a usina colocar esse papel a mercado são as necessidades próprias, as necessidades de caixa, as necessidades financeiras. Os CBios são um novo produto do mercado; um novo produto do setor de biocombustíveis. Hoje, o setor de etanol tem o etanol, o açúcar, a energia elétrica e, agora, os CBios. Então, ele tem um produto que tem à disposição dele. Ele coloca a mercado quando ele achar necessário ou para formação de caixa.

“Os CBios são um novo produto do mercado; um novo produto do setor de biocombustíveis. Hoje, o setor de etanol tem o etanol, o açúcar, a energia elétrica e, agora, os CBios”, Paulo Costa (MME)

Mas não é o produtor que vai emitir para o distribuidor e o distribuidor que irá negociar?

Não. Todo mundo vai poder negociar, inclusive pessoa física. Investidores, fundos de pensão, fundos verdes e qualquer pessoa que se interesse por um ativo financeiro variável, com precificação a mercado, pode estar adquirindo esse ativo para que, em um futuro próximo, ele possa ser negociado a um valor mais elevado, auferindo lucro nessa negociação. Então, cada agente vai ter sua expectativa de preço.

O que muita gente está imaginando é que quem vai negociar é só a distribuidora. Mas, na verdade, o produtor também pode negociar esse papel a qualquer momento.

Sim. O produtor pode entrar tanto na ponta vendedora quanto na ponta compradora também. Se ele tem expectativa que o preço está muito baixo, ele entra comprando e levantando o preço do CBio. Para quê? Em um outro momento, ele entra vendendo e realizando o lucro dessa compra, com a venda um pouco mais elevada.

Os CBios vão sofrer interferências que possam fazer com que o investidor fale "agora não é hora de comprar, o papel não está me dando liquidez, tem uma crise chegando" ou, se o mercado de etanol estiver indo bem, ele pode continuar carregando esses papéis.

Sempre vão existir momentos diferenciados. Se a expectativa tiver uma certa euforia, uma procura muito grande, a tendência é os preços aumentarem. E vão ter momentos de calmaria, em que o vencimento da necessidade de compra do distribuidor vai estar muito longe e as negociações vão ser menores, a liquidez vai cair. Mas, que fique claro, são movimentos naturais de mercado. Essas são coisas que precificam os ativos de renda variável.

Ou seja, é um ativo de risco.

Isso. Um ativo de risco, que é precificado no mercado e é de livre concorrência entre os vendedores e os compradores. Tanto os vendedores quanto os compradores podem ser qualquer pessoa. Pode ser a usina vendendo, a usina comprando. Pode ser o distribuidor comprando e, depois, revendendo. Então, é uma negociação bem aberta.

 

Fonte: Noticias Agrícolas/Nova Cana - 07/08/2018

O Megacana Tech Show começa hoje e vai até amanhã na Canacampo, na cidade de Campo Florido, no Triângulo Mineiro. O destaque de hoje será o painel que trata do Renovabio, coordenado pelo presidente da SIAMIG, Mário Campos, além da palestra do economista Ricardo Amorim. Amanhã será a abertura oficial, com homenageados e uma apresentação dos candidatos ao governo de Minas Gerais.

 A programação se inicia com um Dia Técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). Às 13h30 acontece a palestra “O futuro do produtor de cana-de-açúcar”, apresentada pelo presidente da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Ênio Fernandes Júnior.

Na sequência, às 14h30, acontece o Painel “RenovaBio, o que esperar para o setor sucroenergético”, com a participação de Gustavo Motta, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Ministério de Minas e Energia, e Mateus Ferreira Chagas, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol. Às 16h começa a palestra do economista e apresentador de TV, Ricardo Amorim.

Para o final da tarde está programado o “Debate técnico para altas produtividades de cana-de-açúcar”, com a participação de fornecedores e representantes de usinas, e moderação de Paulo Rodrigues, do Condomínio Agrícola Santa Izabel.

Continue acompanhando as programações do evento no site www.megacana.com.br.

Fonte: Gerência de Comunicação SIAMIG

 

“Os CBios são um novo produto para o setor de biocombustíveis”, garante Paulo Costa, do MME

O mercado de créditos de descarbonização (CBios) ainda não está oficialmente regulado, mas isso é apenas uma questão de tempo.

Segundo o analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Costa, todos os mecanismos que dão sustentação e credibilidade para o mercado de papéis que acompanha o programa RenovaBio estão sendo alinhados. Nesse processo, ainda de acordo com ele, há representantes do setor financeiro, das usinas e das distribuidoras.

Costa foi entrevistado nos bastidores do 11º Congresso Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP), pelo site Notícias Agrícolas.

“O RenovaBio é uma política muito construtiva e que precifica a externalidade positiva dos biocombustíveis, que é a redução das emissões de gases de efeito estufa”, afirma. “[O CBio] é um instrumento financeiro, que vai ser negociado e precificado no mercado financeiro”.

Ele detalha como esse mercado funcionará ao longo da entrevista.

Como esse papel vai funcionar? A gente sabe que as usinas vão emitir CBios à medida em que façam vendas de etanol. Elas vão ter um prazo para negociar? Elas podem segurar esse CBio e deixar para 'jogar' para as distribuidoras mais para a frente? Ou, assim que elas fizerem a venda, elas devem 'jogar' o papel?

O papel é de posse do produtor e ele tem o prazo de dois meses para a emissão. Isso significa que ele emite, mas o papel fica na posse do produtor. Fica a cargo da estratégia do produtor disponibilizar ao mercado a qualquer momento, ou seja, negociar [os CBios] junto a qualquer tipo de especulador, a qualquer tipo de investidor e aos distribuidores, que são a parte mais interessada nesse ativo. O tempo de negociação é dado ao produtor de biocombustíveis.

O emissor [de CBios] é a usina. A usina tem dois meses para repassar esses papéis?

Não. Ela tem dois meses só para a emissão. O CBio é da usina e ela pode vender a qualquer momento. Os drivers que vão fazer a usina colocar esse papel a mercado são as necessidades próprias, as necessidades de caixa, as necessidades financeiras. Os CBios são um novo produto do mercado; um novo produto do setor de biocombustíveis. Hoje, o setor de etanol tem o etanol, o açúcar, a energia elétrica e, agora, os CBios. Então, ele tem um produto que tem à disposição dele. Ele coloca a mercado quando ele achar necessário ou para formação de caixa.

“Os CBios são um novo produto do mercado; um novo produto do setor de biocombustíveis. Hoje, o setor de etanol tem o etanol, o açúcar, a energia elétrica e, agora, os CBios”, Paulo Costa (MME)

Mas não é o produtor que vai emitir para o distribuidor e o distribuidor que irá negociar?

Não. Todo mundo vai poder negociar, inclusive pessoa física. Investidores, fundos de pensão, fundos verdes e qualquer pessoa que se interesse por um ativo financeiro variável, com precificação a mercado, pode estar adquirindo esse ativo para que, em um futuro próximo, ele possa ser negociado a um valor mais elevado, auferindo lucro nessa negociação. Então, cada agente vai ter sua expectativa de preço.

O que muita gente está imaginando é que quem vai negociar é só a distribuidora. Mas, na verdade, o produtor também pode negociar esse papel a qualquer momento.

Sim. O produtor pode entrar tanto na ponta vendedora quanto na ponta compradora também. Se ele tem expectativa que o preço está muito baixo, ele entra comprando e levantando o preço do CBio. Para quê? Em um outro momento, ele entra vendendo e realizando o lucro dessa compra, com a venda um pouco mais elevada.

Os CBios vão sofrer interferências que possam fazer com que o investidor fale "agora não é hora de comprar, o papel não está me dando liquidez, tem uma crise chegando" ou, se o mercado de etanol estiver indo bem, ele pode continuar carregando esses papéis.

Sempre vão existir momentos diferenciados. Se a expectativa tiver uma certa euforia, uma procura muito grande, a tendência é os preços aumentarem. E vão ter momentos de calmaria, em que o vencimento da necessidade de compra do distribuidor vai estar muito longe e as negociações vão ser menores, a liquidez vai cair. Mas, que fique claro, são movimentos naturais de mercado. Essas são coisas que precificam os ativos de renda variável.

Ou seja, é um ativo de risco.

Isso. Um ativo de risco, que é precificado no mercado e é de livre concorrência entre os vendedores e os compradores. Tanto os vendedores quanto os compradores podem ser qualquer pessoa. Pode ser a usina vendendo, a usina comprando. Pode ser o distribuidor comprando e, depois, revendendo. Então, é uma negociação bem aberta.


Fonte: Noticias Agrícolas/Nova Cana - retirado do site SIAMIG