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Os segredos da São Martinho para produzir mais açúcar

Postado em 30 de Abril de 2020

O Grupo irá direcionar mais cana para a produção de açúcar, mas nem todo o maior volume do adoçante produzido virá do aumento da quantidade de matéria-prima

Nas últimas duas safras, a região Centro-Sul do Brasil destinou 35% da cana para a produção de açúcar, nesta safra, estimativas apontam que deverá ser em torno de 47%. Seguindo a tendência do setor, a safra 2020/21 do grupo São Martinho, com quatro unidades sucroenergéticas, três no estado de São Paulo e uma em Goiás, também será mais açucareira.

Mas o aumento da produção do adoçante do grupo São Martinho não vem apenas do maior volume de matéria-prima destinado ao açúcar, é resultado também de cuidados em todo processo produtivo. Em sua participação no Webinar UDOP, realizado no último dia 23, sobre o tema “Maximizando a produção de açúcar sem investimentos em novos equipamentos”, Fernando Cullen Sampaio, assessor de Tecnologia Industrial da São Martinho, disse que, para produzir mais açúcar e preciso ter um xarope de bastante qualidade. E isso começa com o monitoramento da matéria-prima e os cuidados seguem em todo o tratamento do caldo.

Segundo Sampaio, o xarope adequado precisa ter concentração entre 62 a 65 de brix e ter pureza elevada. “Não pode perder pureza nas etapas de processo, a pureza do xarope deve estar muito próxima ao da pureza da cana que entra na usina”, observou.

O xarope deve ser isento de material em suspensão. “Isso resolve no tratamento de caldo e não na centrífuga de açúcar”, alertou Sampaio. Outro ponto essencial é ter cor baixa. “Para cada tipo de açúcar que se faz, há um parâmetro de cor, que é resolvido também no tratamento do caldo.”

É preciso retirar o máximo possível de cinzas, de saís minerais, porque essas substâncias, explicou Sampaio, atrapalham muito a velocidade de cristalização. Também é necessário manter o pH do caldo acima de 6, para evitar a degradação de açúcar.

O baixo teor de polissacarídeos é outro ponto essencial. “Monitoramos amido e dextrana que são os dois principais elementos que aumentam a viscosidade da massa e também prejudicam a cristalização. O amido faz parte da própria cana, se concentra nas pontas e nas folhas da cana, para reduzir é preciso despontar bem a cana. A dextrana é outro polissacarídeo só que formado por via biológica, pelas bactérias, resultado de uma cana pouco saudável, cana que demorou para chegar na usina”, disse Sampaio.

O Assessor de Tecnologia Industrial contou que durante dois anos, na Usina Iracema, unidade do Grupo São Martinho, em Iracemápolis, SP, em parceria com uma grande empresa de enzimas, testou-se um coquetel enzimático mirando não só na qualidade final do açúcar, mas também em reduzir esses polissacarídeos durante o processo, melhorando a viscosidade. “Tivemos um resultado muito interessante. Sabemos que um tratamento convencional, a quantidade de amido retirada é entre 25% a 30%, com esse coquetel enzimático, quase zeramos o amido. Esse produto foi lançado recentemente no mercado, mas como disse, antes foi testado durante dois anos na Usina Iracemápolis.”

Na questão das impurezas vegetais, Sampaio alertou que, além do amido, também envolvem os compostos coloridos, como a clorofila. “Esses compostos fenólicos, que são os precursores de formação de cor no início do processo, também estão concentrados na ponta e folhas da cana, mais um motivo para despontar bem a cana e reduzir a quantidade de impurezas vegetais trazidas para a indústria”, ressaltou.

Em resumo, Sampaio reforçou que, para ter alta qualidade do xarope é preciso começar a monitor desde a qualidade da cana, para isso é fundamental trabalhar em parceria com a agrícola. “Realizamos reuniões agroindustriais pelo menos semanais, para alinharmos os parâmetros não só os tecnológicos como pool, AR (açucares redutores), fibra e pureza, mas também os dados de sanidade da cana, precisamos receber uma cana saudável. Até brincamos com o pessoal da agrícola, só queremos cana fresca, madura e limpa.” Essas condições podem parecer brincadeira, mas são as ideais para produzir mais açúcar com qualidade, menor tempo e menos insumos. Resultando em um produto com menor custo de produção, diferencial importantíssimo nesses tempos de preços baixos dos produtos da cana.


Fonte: CanaOnline