Clipping

Para manter setor açucareiro, França pode provar do próprio veneno e liberar inseticida

Postado em 14 de Setembro de 2020

Em meio a uma crise severa na produção de beterraba açucareira na Europa, a França está prestes a ter que provar (parte) do próprio veneno quando dirige a outros países críticas à sustentabilidade do campo. O governo deve voltar a liberar o uso de neonicotinóides, proibido desde 2018, no revestimento de mudas das plantas.

O problema, relatado pelo Le Monde em agosto, onde a ministra da Transição Ecológica, Bárbara Pompili, lamenta mas disse não ver outra solução para salvar a indústria açucareira e de etanol, levaria o governo a apresentar uma emenda ao parlamento neste outono.

Essa classe de inseticida, derivado da nicotina, amplamente usado no Brasil em várias culturas, também sob críticas dos ambientalistas e apicultores (o agente é acusado de prejudicar as abelhas), seria a única solução, a curto prazo, para atenuar as pragas que estão atacando as plantações de beterrabas.

E que estão entre as responsáveis, atualmente, na redução da produção, especialmente na França, principal produtor da Europa. Além do cultivo também estar sendo substituído pelos agricultores, na medida que os problemas avançam, a expectativa é de que haverá redução de 38,6 (2019) para 31 milhões de toneladas de beterraba no país. O refino de açúcar cairá para 4,1 milhões/t, 9 milhões/t a menos.

Os problemas, agravados pela seca, também são reproduzidos na Inglaterra e Alemanha, mas a escala na França é mais preocupante, e a proposta do governo para uso dos neonicotinóides deverá ser temporária, de 2021 e 2023, quando se estima que a ciência deverá ter avançado mais na busca de uma solução definitiva.

“Infelizmente, hoje não podemos, se queremos manter uma indústria açucareira na França, atuar de forma sustentável em tão pouco tempo. As mudas serão produzidas em seis meses e se não for encontrada uma solução, portanto não haverá beterraba e não haverá mais indústria açucareira na França”, disse a ministra Bárbara Pompili.

 


Fonte: Money Times