Clipping

Para produzir cana, quem desmatar, mesmo de forma legal, não entra no RenovaBio

Postado em 6 de Janeiro de 2020

O aumento de produção de cana será, principalmente, por meio da produtividade e não de aumento de área

A Política Nacional de Biocombustíveis – RenovaBio, instituída pela Lei 13.576/2017, está pronta para entrar em vigor no dia 24 de dezembro de 2019 com toda a sua regulamentação concluída. O programa tem como objetivo reduzir a intensidade de carbono da matriz de transportes brasileira, por meio do aumento da participação dos biocombustíveis.

O RenovaBio cria o mercado de crédito de carbono, com o objetivo de compensar a emissão de gases causadores do efeito estufa gerada pelo uso dos combustíveis fósseis, estabelecendo que cada Crédito de Descarbonização – CBio equivale a uma tonelada de dióxido de carbono que deixa de ser emitida na atmosfera. O programa é baseado em mecanismos de mercado que incentivam a competição entre os produtores de culturas energéticas e de biocombustíveis e induzem a eficiência, reconhecendo as cadeias de produção mais sustentáveis.

Para atender as metas de descarbonização propostas pelo RenovaBio, o setor sucroenergético deverá aumentar a produção de etanol dos atuais 33 bilhões de litros para 50 bilhões em 2030. Mas, para isso, ao implantar novos canaviais, não poderá desmatar, mesmo que a lei ambiental permita. Na verdade, esse pré-requisito para participação no RenovaBio, não passará a valer a partir de 24 de dezembro, quando entra em funcionamento o programa e, sim, para áreas que tenham sofrido desmate após novembro de 2018.

“Se você tem dez mil hectares de cana e retirar uma árvore, todos os dez mil hectares não podem ser incluídos no Renovabio. Este é o mais importante programa para o setor sucroenergético no Brasil. E, por causa desse programa, não vamos ter uma árvore derrubada”, destacou Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). O critério vale para as áreas produtoras das principais matérias-primas dos biocombustíveis, como cana, soja e milho.

Assim, no caso da implantação de novos canaviais, isso deverá ocorrer em áreas de pecuária degradada. Mas o incremento principal do maior volume de produção, será por meio do aumento do TCH – tonelada de cana por hectare – e do TAH – tonelada de açúcar por hectare. Mais do que nunca, o crescimento do setor será vertical e não horizontal.

 


Fonte: CanaOnline