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Petrobras e Shell vão inaugurar laboratório

Duas das principais petroleiras que atuam no pré-sal brasileiro, a anglo-holandesa Shell e a Petrobras investiram R$ 117 milhões na construção de um laboratório de recuperação avançada de petróleo (LRAP), na Coppe/UFRJ. A unidade, que já iniciou as operações e será inaugurada oficialmente nesta quinta-feira, tem o objetivo de investigar técnicas avançadas para viabilizar o aumento do fator de recuperação de óleo em rochas carbonáticas do pré-sal brasileiro.

Do total aportado, a Shell destinou R$ 107 milhões e a estatal brasileira, R$ 10 milhões. Os recursos fazem parte do programa compulsório de investimentos das petroleiras em pesquisa e desenvolvimento (P&D), gerenciado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com o professor da Coppe/UFRJ Paulo Couto, coordenador do LRAP, o fator de recuperação de óleo nos reservatórios no Brasil é de apenas 21%, enquanto a média mundial é de 35%. "Na Noruega, por exemplo, existem casos de recuperação de 70%", disse. Segundo ele, um aumento de apenas um ponto percentual na taxa de recuperação das rochas brasileiras representará US$ 11 bilhões em royalties, gerando um aumento das reservas brasileiras em 22 bilhões de barris e novos investimentos da ordem de R$ 16 bilhões.

"Se você puder aumentar [o fator de recuperação], em 1%, 2% ou 3%, o Brasil estará recebendo mais petróleo com os mesmos campos. Isso é uma questão de desenvolvimento sustentável com recursos brasileiros", destacou a gerente do Programa de Recuperação Avançada de Petróleo da Shell Brasil, Frances Abbots. "O que queremos é criar aqui um centro de referência mundial em reservatórios carbonáticos. São reservatórios muito complexos", completou ela.

A formação do laboratório teve início de 2014, quando o projeto ainda era realizado em parceria com a BG, petroleira britânica adquirida pela Shell em 2016. Segundo Couto, devido à complexidade dos fluidos e das rochas na camada pré-sal, os equipamentos do laboratórios são muito específicos e, por isso, a construção levou mais tempo.

"São equipamentos que reproduzem as mesmas condições de pressão e temperatura que nós encontramos nos reservatórios do pré-sal. Esses equipamentos podem trabalhar com os mesmos fluidos que estão dentro do reservatório. São fluidos muito agressivos e que requerem materiais muito específicos para que possam ser trabalhados", explicou Couto.

Entre os equipamentos do LRAP está uma estufa para medição de permeabilidade relativa, equipada com escâner de raios-x, que permite produzir imagens do deslocamento de petróleo dentro da rocha, em condições de laboratório. Este é o segundo equipamento do tipo no mundo. O outro está localizado em Edimburgo, na Escócia.

"O laboratório nos instrumentaliza na direção correta para enfrentarmos as complexidades do pré-sal", afirmou o diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, Fernando Rochinha. Segundo ele, a unidade terá grande contribuição para a formação de conhecimento e qualificação de alunos e pesquisadores, além de ser importante elo no âmbito das parcerias da Coppe com grandes empresas e startups para o desenvolvimento tecnológico e da indústria 4.0.

Ao todo, até o momento, o laboratório conta com 50 profissionais entre professores, pesquisadores, técnicos, pós-doutores, alunos de graduação, mestrado e doutorado e engenheiros.


Fonte: Valor Econômico