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Petróleo americano cai mais de 200% e tem preço negativo pela 1ª vez na história

Postado em 22 de Abril de 2020

O contrato futuro de maio do barril de petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, colapsa nesta segunda-feira (20), seu último dia de negociação antes do vencimento.

Por volta das 17h, ele despenca 280% na Bolsa de Chicago, a menos US$ 32,75 (R$ 173,83) o barril. Essa é a primeira vez na história que o contrato tem um valor negativo.

Na prática, os investidores que encerrarem o pregão com o papel em mãos receberão US$ 32,75 pelos produtores de petróleo para receber os barris, conforme a quantidade determinada no contrato futuro.

Como o contrato tem entrega imediata, investidores não querem a commodity em um cenário de queda de demanda pela pandemia da Covid-19 e falta de espaço nos estoques.

Quando um contrato futuro expira, operadores precisam decidir se recebem a entrega de barris de petróleo ou rolam suas posições para um novo contrato futuro, como o de junho, por exemplo. Sem conseguir ir do contrato de maio para junho, investidores se desfazem do papel no seu último pregão de negociação a qualquer custo.

“Ninguém quer o petróleo na mão, o estoque americano está no máximo do máximo. Para quem tem como estocar, vale a pena comprar, mas ninguém sabe por quanto tempo terá que guardar o óleo”, afirma Alexandre Cabral, professor do Ibmec.

O contrato de WTI com vencimento em junho tem uma queda menos expressiva, de 16,5%, a US$ 20,89.

Já o contrato do barril de petróleo Brent, negociado na Bolsa de Londres e referência internacional, cai 8,5%, a US$ 25,68, menor valor desde 1º de abril.

A matéria-prima sofre uma forte desvalorização de cerca de 60% neste ano, com a guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita e a desaceleração econômica devido a medidas de combate ao coronavírus.

Além disso, o acordo da Opep+, (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e demais produtores, como Rússia), para reduzir a produção do óleo de modo a elevar o preço foi considerada insuficiente pelo mercado.

Conforme o uso do petróleo cai, o armazenamento sobe. No centro de entregas de Cushing, em Oklahoma, estão estocados 55 milhões de barris, perto da capacidade máxima de 76 milhões de barris.

O petróleo armazenado em navios flutuantes também está em nível recorde, com estimados 160 milhões de barris.

A forte queda da commodity derrubou as principais Bolsas globais. Nos EUA, Dow Jones caiu 2,4%, S&P 500, 1,5% e Nasdaq, 1%.

No Brasil, o Ibovespa fechou estável, a 78972 pontos.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras caíram 1%, a R$ 15,95, enquanto as ordinárias (com direito a voto) tiveram queda de 0,9%, a R$ 16,55.

Já o dólar comercial fechou em alta de 1,3%, a R$ 5,3080, maior valor desde 3 de abril, quando a divisa foi ao recorde de R$ 5,3270. Na máxima da sessão, o dólar foi a R$ 5,3210. O turismo está a R$ 5,60 na venda.

Além da turbulência do mercado financeiro internacional, a moeda reflete a tensão política brasileira, após líderes do Legislativo e Judiciário repudiaram a participação do presidente Jair Bolsonaro de um ato pró-golpe no domingo (19).


Fonte: Folha de S. Paulo/BiodieselBR.com