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Pior para cana entregue só em destilarias, preço pago em junho cai, mas pode melhorar

Postado em 4 de Junho de 2020

O valor do ATR (açúcar total recuperável) para a cana de fornecedor do Centro-Sul caiu no acumulado de maio para a matéria-prima paga em junho, o que já era esperado dada a queda desde o início da safra. Para julho a possibilidade de melhora começa a ficar mais real, a partir da retomada dos preços do mix da cana, etanol e açúcar.

Embora o valor estabelecido pelo Consecana – R$ 0,6960/kg (R$ 0,7005 abril) -, hoje serve mais de parâmetro, com cada vez menos negócios pelo ‘ATR seco’, ainda é uma referência quase compulsória para milhares de pequenos produtores.

“Se os preços do petróleo voltarem aos US$ 40/barril, mais o dólar acima de R$ 5,00, certamente podemos esperar a retomada dos preços da cana acima até das expectativas que tínhamos antes da pandemia, de R$ 0,70 ou até R$ 0,80 para o segundo semestre em caso de retomada forte da economia”, avalia Gustavo Chavaglia, diretor da Canoeste e coordenador de energia renovável da Faesp, lembrando ainda do fator consumo que já está sendo notado com o aumento da circulação da população.

Além da qualidade da cana, a precificação leva em conta os valores de todos os tipos de açúcares e etanóis, que com a queda do petróleo até o mês passado, mais o isolamento, jogaram para baixo os preços e o consumo.

Mesmo o açúcar, que passou a remunerar melhor somente pelo fator cambial, não avançava na bolsa de commodities de Nova York porque o Brasil, jogando mais a commodity no mundo, anulava até os déficits esperados na Índia e Tailândia, acrescenta Chavaglia, também produtor de soja (é igualmente presidente da Aprosoja SP).

Safra
O problema, lembra, é que para unidades que só trabalham com etanol, o ATR pago é outro. Em Goiás, por exemplo, o kg da cana está em torno dos R$ 0,55 na maioria das unidades. O que significa que a recuperação dos valores da matéria-prima ainda pode ficar abaixo do mix precificado pelo Consecana.

Se o produtor ainda estiver perto da indústria e contar com produtividade na faixa mínima das 90 toneladas por hectare, ainda as contas acabam ajudando, complementa Apolinário Pereira da Silva Jr., presidente da Associação dos Fornecedores de Cana do Oeste Paulista (Afcop). Mas ele não acredita em melhora substancial do ATR. Com a safra e a maior oferta de cana, a tendência de recuo também seria normal.

Para os produtores mais graúdos com contratos fechados por ATR fixo, antes de toda a encrenca trazida pela covid-19 em safra (20/21) antes cheia de boas expectativas, Pereira da Silva admite que não sabe como as usinas vão fazer. A cana dele foi negociada tanto a R$ 0,95/kg quanto a R$ 0,97. E aqui o produtor faz coro a Gustavo Chavaglia, de Ituverava, reafirmando a situação mais complicada dos negócios com empresas destilarias.

Descontando os players verticalizados em todo o negócio, como a Raízen, que podem jogar um mau resultado de um elo para outro da cadeia, diz o presidente da Afcop.


Fonte: Money Times