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Plano prevê aporte de R$ 2,2 bi na agroindústria

Postado em 21 de Agosto de 2020

O setor sucroalcooleiro enfrenta desafios muito grandes e muitos grupos têm dificuldades no Brasil, mas o Governo do Estado está apostando na atividade através do Polo Agroindustrial e Bioenergético do Médio São Francisco, como uma forma de potencializar econômica e socialmente a região, por meio das Secretarias de Desenvolvimento Econômico (SDE), da Agricultura (Seagri) e de Desenvolvimento Rural (SDR), com previsão inicial de investimentos privados na ordem dos R$ 2,2 bilhões, em cinco projetos com capacidade instalada anual de 10,5 milhões de toneladas de cana (TCH).

O Brasil é o país que tem maior participação relativa dos biocombustíveis em sua matriz de transportes e é o maior exportador mundial de açúcar. Cerca de 19,1% do total de energia consumida no Brasil para transporte e geração de energia elétrica, são derivados da cana-de-açúcar. O setor equivale a 10% do valor bruto total do agronegócio, que representa 20% do PIB brasileiro.

Uma comitiva composta por empresários pernambucanos visitou a região para conhecer o projeto de implantação do polo. Prospectada pelo vice-governador João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico, a missão de negócios teve como foco a atração de novos interessados em investir nos projetos de irrigação ou agropecuários no local. Atualmente existe uma usina sucroalcooleira se instalando, do Grupo Paranhos, e outros quatro projetos com tratativas avançadas.

“Esse projeto é uma coisa diferente, uma nova fronteira da agricultura brasileira. No setor sucroalcooleiro ninguém tem igual como projetado nos municípios de Muquém do São Francisco, Barra, Xique-Xique - com alta produtividade, terras totalmente planas, potencial hídrico. Cada projeto desse vai gerar algo em torno de 4 mil empregos, se você botar 10 usinas, são 40 mil empregos diretos e indiretos", diz Leão.

Eduardo Monteiro, presidente do Grupo EQM, empresa do setor sucroalcooleiro de Pernambuco, disse que o governo baiano faz uma importante ação de atração de investimento na região, de uma maneira proativa, permanente e monitorada. "O que eu vi aqui, eu jamais vi em termo de produtividade por aspersão e pivôs centrais. Já vi áreas de gotejo importantes, mas elas não se assemelham em produtividade a esta que estou vendo aqui. Estou muito impressionado com a topografia, a potencialidade e com fotoperiodismo, o alargamento da estrutura de moagem na medida em que aqui pode moer 200 dias, e não 170 dias como no resto do Nordeste. Então nós estamos aqui diante de uma extraordinária e promissora fronteira de produção do setor sucroenergético do Brasil".

Para Miguel Coelho, empresário e prefeito de Petrolina (PE), a impressão inicial foi muito boa. “Eu venho de Petrolina, segundo polo fruticultor do Brasil, um dos principais polos agropecuários e de agricultura do nosso Nordeste brasileiro. Vim aqui conhecer de perto a região de Barra, de Ibotirama, de Muquém, e estou muito bem impressionado pela capacidade do solo, pela abundância da água, do sol e principalmente por toda estrutura que o Governo da Bahia vem fazendo”, destacou.

Programa Emergencial

O Programa Emergencial de Apoio ao Setor Sucroenergético Brasileiro é objeto de um projeto de lei apresentado pela senador a Kátia Abreu (PP-TO). Neste, é proposta a criação de uma linha de crédito que beneficiaria, entre outros, produtores de etanol e cana-de-açúcar. Segundo a senadora, o objetivo é ajudar o setor diante da queda no consumo provocada pelo novo coronavírus.

“A redução do consumo de combustíveis provocada pela pandemia do novo coronavírus – em função das necessárias medidas de isolamento social – combinada a uma queda superior a 50% na cotação do petróleo produziram um efeito devastador no setor sucroenergético, ocasionando um recuo de praticamente 40% do preço do etanol, colocando-o bem abaixo de seu custo de produção”, explicou a senadora.

A proposta utiliza o mesmo modelo de financiamento e de estruturação da medida provisória 944/2020, que criou o Programa Emergencial de Suporte a Empregos e oferece crédito a empresários com a finalidade de pagamento de folha salarial de seus empregados. A diferença entre os programas, segundo ela, é que a sua proposta demanda um aporte menor, de R$ 7,65 bilhões, recursos do Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 


Fonte: Jornal A Tarde On Line