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Porto de Santos ampliará capacidade em 49% em 20 anos

Postado em 19 de Fevereiro de 2020

A Santos Port Authority (SPA, autoridade portuária de Santos, antiga Codesp) divulgou ontem o plano de zoneamento que deverá nortear o crescimento do Porto de Santos, o maior do País, pelos próximos 20 anos.

O chamado Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) prevê aumento da participação do modal ferroviário no transporte, além de reorganização espacial dos terminais, com agrupamentos por tipo de carga.

O plano prevê a expansão da capacidade operacional do porto em 49% até 2040, dos atuais 161,9 milhões de toneladas para 240,6 milhões.

A proporção de cargas que chegam aos terminais por vias férreas saltaria dos atuais 33% para 40% nos próximos 20 anos.

O plano enfrenta resistência do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), que realizou manifestações na região portuária ontem. O sindicato afirma que o PDZ deverá causar demissões, o que é negado pela autoridade portuária.

“Não faz sentido [a posição do sindicato], porque o plano prevê aumento de demanda, de capacidade e maior eficiência. Isso gera empregos, e não o contrário”, afirma o presidente da SPA, Casemiro Tércio Carvalho.

A SPA conseguiu no último domingo (16) que a Justiça proibisse, em decisão liminar, que os manifestantes bloqueassem acessos ao porto.

A decisão, proferida pelo juiz Roberto da Silva Oliveira, estipulou multa diária de R$ 200 mil caso o Sindicam paralise o porto.

Entre as principais mudanças no porto previstas pelo plano está a reorganização do espaço dos terminais por tipo de carga, o que segundo a SPA traria ganhos de escala e eficiência no uso dos berços de atracação.

Para fazer a mudança, a autoridade portuária não vai renovar contratos com terminais menores que estão prestes a vencer.

“Os terminais pequenos não capacitados para atendimento ferroviário saem, teremos a consolidação de terminais”, diz Tércio.

Segundo ele, o PDZ também pretende diminuir a quantidade de manobras desnecessárias de navios em Santos. “São mais de 12 mil movimentos por ano para 4.700 navios. Isso quer dizer que tem embarcação que faz três movimentos no porto, isso é ineficiência. Ocupo horas de canal com manobras desnecessárias”.

Com a reorganização, o transporte de contêineres, por exemplo, que demandam mais transporte rodoviário, ficaria concentrado nas regiões Morro da Penha, Saboó e Valongo, consideradas o “fundo do porto”, o que reduziria o trânsito de caminhões dentro do perímetro urbano.

O transporte de celulose, por outro lado, que utiliza de maneira mais intensiva o modal ferroviário, seria concentrado na ponta da praia. (Folhapress)

Caminhoneiros paralisam as atividades

Caminhoneiros realizaram ontem uma manifestação de 24 horas na entrada do porto de Santos, o maior do Brasil, o que reduziu o número de veículos que normalmente entram no local, segundo uma cooperativa de motoristas de caminhões.

Não houve bloqueio na via de acesso ao porto, informou a administração portuária, que não tinha uma avaliação imediata para confirmar a informação da cooperativa.

Mas a assessoria de imprensa do porto afirmou que o movimento dos caminhoneiros afetou a descarga de produtos nas esteiras de granéis minerais, que usualmente transportam fertilizantes importados, na área do cais público.

De acordo com Marcelo Aparecido, representante da cooperativa dos caminhoneiros autônomos de Santos, centenas de caminhões deixaram de ingressar no porto, informação esta que não pôde ser confirmada.

Ele disse ainda, à Reuters, que um líder sindical foi detido após uma ação policial.

A administração portuária havia conseguido uma liminar judicial para que os caminhoneiros não bloqueassem os acessos ao porto.

Alguns motoristas que chegavam ao porto estavam sendo convencidos pelos manifestantes a dar meia volta, deixando de levar as mercadorias aos terminais, segundo reportagem da Globonews.

Alguns manifestantes ficaram desde o início da madrugada no canteiro central de uma avenida de acesso ao porto, para quem chega pela Rodovia Anchieta.

Motoristas protestam, entre outras coisas, por uma redução no ICMS do diesel, como forma de baratear o combustível que responde pela maior parte dos custos da categoria.

O protesto acontece alguns dias depois de o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiar o julgamento de ações de inconstitucionalidade da tabela de frete mínimo, que estava marcado para esta semana. Uma audiência de conciliação foi marcada para março.

A manifestação ocorre em um momento importante para o escoamento da safra de soja do Brasil, que está em colheita. O porto, contudo, também recebe cargas por ferrovia.

Amanhã os caminhoneiros deverão realizar uma manifestação em São Paulo. 

 


Fonte: Reuters - retirado do Jornal Diário do Comércio