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Preço baixo do açúcar deve manter etanol no foco em 2020/21

Postado em 30 de Outubro de 2019

Diante do gigantesco volume de açúcar estocado na Índia, que deve ofuscar o efeito do déficit de produção estimado para a safra global atual (2019/20) sobre os preços da commodity, as usinas brasileiras deverão voltar a maximizar sua produção de etanol na próxima temporada nacional (2020/21), que começará em abril, segundo especialistas.

Embora as usinas brasileiras já estejam, nesta safra, próximas da capacidade total para a maximização da produção de etanol, alguns investimentos em destilarias deverão aumentar um pouco essa margem para a próxima temporada. Foi o que apontou Plinio Nastari, presidente da Datagro, durante evento promovido por sua consultoria ontem em São Paulo. Segundo ele, 34,3% da cana a ser moída deverá ser direcionada à produção de açúcar neste ciclo no Centro-Sul, o percentual tende a cair apenas marginalmente na próxima safra, para cerca de 34%, a depender da extensão do período de processamento da matéria-prima.

Um dos grupos que decidiram investir na estrutura industrial de produção do biocombustível foi a Cofco Agri, cujos aportes deverão aumentar sua capacidade de maximizar sua produção de etanol em 10%. Em apresentação, Marcelo de Andrade, presidente da divisão do grupo chinês para a área de soft commodities, afirmou que, quando a companhia foi buscar os fornecedores para realizar os investimentos em etanol, notou que também havia demanda por parte de outras companhias.

Nastari ressaltou que a produção é incerta, já que a próxima safra de cana ainda dependerá do regime de chuvas do verão. Mas observou que as queimadas registradas em algumas áreas produtoras e o atraso no desenvolvimento das plantas são fatores negativos para a oferta de cana. O executivo indicou que a moagem não deve superar a quantidade estimada para a safra atual, em torno de 590 milhões de toneladas, mas que o volume também não deverá ficar abaixo do registrado na safra passada, de 573 milhões de toneladas.

O cenário mais alcooleiro é reforçado pelas avaliações a respeito da quantidade de açúcar nos estoques indianos. Tanto a chinesa Cofco como a trading francesa Sucden estimam que o volume armazenado no país está em 15 milhões de toneladas. "Nossas equipes que visitam usinas da Índia dizem que os armazéns estão sempre lotados de açúcar. Se não for 15 milhões de toneladas, não foge de 13 milhões", afirmou Luiz Silvestre, diretor comercial da Sucden, em apresentação no evento.

O trader, porém, ressaltou que o cenário para o etanol também não está isento de riscos. Uma das ameaças é a possibilidade de uma recessão global e o impacto que isso pode ter para os preços do petróleo, já que a alta do fóssil vem garantindo competitividade para o biocombustível no Brasil. Outro risco é uma apreciação do real ante o dólar, que pode baratear o preço de importação de gasolina e, por tabela, pressionar o preço do etanol. Para Plinio Nastari, o risco cambial é ainda maior, já que o Brasil perdeu para Índia o papel de formador de preços de açúcar.

 


Fonte: Valor Econômico