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Preço competitivo faz venda de etanol superar a da gasolina em Minas

Postado em 5 de Novembro de 2019

Dados da ANP mostram que em setembro foram consumidos no estado 271,9 milhões de litros do biocombustível, contra 260 milhões de litros do derivado de petróleo. É a segunda vez que isso ocorre Dados da ANP mostram que em setembro foram vendidos no estado 271,9 milhões de litros do biocombustível, contra 260 milhões de litros do derivado de petróleo. Preço é a explicação

Pela segunda vez na história, o consumo de álcool hidratado superou o da gasolina em Minas Gerais, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) relativos a setembro deste ano. O levantamento aponta que 271,9 milhões de litros de etanol hidratado foram consumidos, contra 260 milhões de litros de gasolina. A situação também tinha acontecido em outubro de 2018.

Tendo em vista agosto e setembro deste ano, o consumo de etanol cresceu 0,9%. Em agosto, foram vendidos 269,578 milhões de litros de álcool hidratado. Comparando setembro de 2019 com o mesmo mês de 2018, a alta foi de 37%, já que 243,840 milhões foram comercializados em setembro do último ano.

A participação do álcool hidratado no chamado ciclo otto (etanol + gasolina) foi de 41%. O número representa um aumento de 1% em relação a agosto deste ano. Presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos ressaltou que o preço do etanol e a paridade frente à gasolina favorável ao combustível limpo e renovável nas bombas, têm contribuído para o crescimento desse mercado em Minas, apesar de todas as dificuldades da economia.

“Há 18 meses, o etanol vem ganhando participação no estado, espaço, e isso acaba acostumando o consumidor. O carro é flex, pode ser abastecido por ambos, e mesmo sendo mais barato, muitas vezes por hábito, o consumidor coloca gasolina. Em Minas Gerais, era baixo o consumo e vem crescendo. Coloco essa superação, principalmente, por causa de preço”, disse Mário, ao Estado de Minas.

O presidente da Siamig também destaca que estados produtores, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás, destacam-se no consumo. “Mais de 80% dos estados produtores, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Paraná, que são os principais. Em São Paulo, em 2004, teve uma redução do ICMS, que ficou mais barato e elevou muito o consumo do álcool hidratado. Minas fez isso somente em 2014, então o consumo de etanol hidratado é mais antigo para o paulista do que para o mineiro, por exemplo. Mas tudo é um processo”.

Este ano, o consumo de combustíveis no ciclo otto no estado, até setembro, mostra um crescimento de 4,1%, enquanto o ano passado teve uma queda de 5%. Geralmente, o etanol se torna vantajoso quando o preço do combustível verde está abaixo de 70% da cotação na bomba do combustível fóssil, a gasolina, mas Mário alerta para essa “regra”. “Cada carro pode encontrar sua própria relação. Têm veículos com relações diferentes. Então, isso é uma coisa mais geral, uma regra de bolso. A orientação é que todos sempre testem isso, em computador de bordo, ou consultarem até um especialista se for o caso. É uma sugestão”, finalizou.

Competitividade 

Os preços médios do etanol seguiram vantajosos ante os da gasolina em apenas quatro estados brasileiros na semana passada, entre eles Minas Gerais, onde o álcool hidratado é vendido por um valor equivalente a 63,90% do preço da gasolina.

Além de Minas, o combustível verde continua vantajoso também em Goiás, Mato Grosso e São Paulo, todos grandes produtores do biocombustível. O levantamento da ANP considera que o etanol de cana ou de milho, por ter menor poder calorífico, tenha um preço limite de 70% do derivado de petróleo nos postos para ser considerado vantajoso.

Em Mato Grosso, o hidratado é vendido, em média, por 56,98% do preço da gasolina, em Goiás a 67,25% e em São Paulo a paridade ficou em 65,58%. No Paraná, onde o etanol perdeu a vantagem sobre a gasolina na semana anterior, a paridade seguiu favorável ao combustível de petróleo, em 70,55%. Na média dos postos pesquisados no país, a paridade é de 66,76% entre os preços médios de etanol e gasolina, também favorável ao biocombustível. A gasolina foi mais vantajosa no Roraima, com a paridade de 92,02% para o preço do etanol.

Em alta 

Os preços médios do etanol hidratado subiram em 12 estados e no Distrito Federal na semana passada, de acordo com levantamento da ANP. Houve queda em 13 estados brasileiros. Como não foi feita avaliação no Amapá na semana anterior, a comparação foi impossível. Na média dos postos pesquisados pela ANP houve leve alta de 0,03% no preço médio do etanol na semana passada ante a anterior, de R$ 2,927 para R$ 2,928. Em Minas Gerais, o preço médio dolitro do biocombustível subiu de R$ 2,967 da semana anterior para R$ 2.990 na semana passada, com alta de 0,77%.

Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, houve queda de 0,07% no período e a cotação média do hidratado variou de R$ 2,726 para R$ 2,724 o litro. A maior alta semanal, de 1,35%, foi em Roraima e a maior queda, de 2,81%, em Alagoas. Na comparação mensal, os preços do etanol subiram em 13 estados e no Distrito Federal e recuaram outras 13 unidades da Federação. Na média brasileira, o preço do biocombustível pesquisado pela ANP acumulou alta mensal de 2,02%.

O preço mínimo registrado na semana passada para o etanol em um posto foi de R$ 2,299 o litro, em São Paulo, e o menor preço médio estadual, de R$ 2,559, foi registrado em Mato Grosso. O preço máximo individual, de R$ 5,470 o litro, foi registrado em um posto do Pará e o Rio Grande do Sul registrou o maior preço médio, de R$ 3,998 o litro.

Bombas terão certificação digital

A partir de dezembro, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), vinculado ao Ministério da Economia, só vai aprovar modelos de bombas medidoras de combustíveis líquidos (gasolina, diesel e etanol) que tenham certificação digital. O objetivo é coibir a ocorrência de fraudes no abastecimento ao consumidor final. A informação foi dada ontem pelo chefe do Setor de Medição de Fluidos do instituto, Edisio Alves Júnior.

As bombas medidoras têm um componente que faz a medição e um mostrador que apresenta o resultado para o consumidor. O Inmetro observou que muitas das fraudes ocorriam na comunicação entre a medição e a indicação do resultado. “Com esse sistema de certificação digital, o Inmetro garante que o resultado da medição é assinado digitalmente, de tal maneira que a gente sabe que a informação que chega no indicador realmente foi produzida pelo medidor”, disse à Agência Brasil.

Alves Júnior explicou que a maioria das bombas medidoras tinha funcionamento baseado em sistemas mecânicos. “Com o passar dos anos, os dispositivos eletrônicos tomaram conta de tudo, inclusive dos instrumentos de medir, especialmente das bombas medidoras. A gente começou a observar o crescimento das fraudes eletrônicas e percebemos que os requisitos que a gente tinha para bombas medidoras não estavam adequados para essas novas bombas eletrônicas. Daí surgiu a certificação digital”.

No celular 

Segundo o Inmetro, as novas bombas com certificação digital vão se comunicar com o consumidor, por meio de um aplicativo de celular. “Ele vai poder ver o resultado tanto no celular dele, como no indicador da bomba”, disse o chefe do Setor de Medição de Fluidos do Inmetro. Por outro lado, Edísio Alves Júnior esclareceu que a aprovação de novos modelos de bombas medidoras não significa que todas as bombas atualmente em uso vão ser substituídas instantaneamente no mercado. A substituição será feita de forma gradual, em função do ano de fabricação da bomba, e terá o período máximo de 15 anos.

Para o Inmetro, à medida que os postos começarem a efetuar a substituição das bombas por equipamentos com certificação digital, os próprios consumidores irão à procura de bombas mais confiáveis. Ou seja, a concorrência fará com que a iniciativa para adaptação à certificação digital partirá dos próprios integrantes do mercado. “Quem tiver uma bomba mais segura vai ter um chamariz maior para o consumidor”, disse o chefe do setor de Medição de Fluidos.

 


Fonte: Estado de Minas