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Preço do etanol despenca no país após greve de caminhoneiros

Opção preferida dos motoristas neste ano, o etanol hidratado despencou na porta das usinas desde o fim da greve dos caminhoneiros até meados de julho. O motivo foi a dificuldade das empresas para escoar o volume represado em maio, aliado à produção elevada. Analistas e usinas creem, porém, que os preços chegaram ao fundo do poço desta safra, a 2018/19.

Da primeira semana de junho até a segunda semana de julho, o valor que as usinas paulistas receberam por um litro de etanol hidratado, já descontados impostos, caiu 13,6%, conforme o indicador Cepea/Esalq. Na semana passada, o indicador ficou em R$ 1,4652 por litro.

Até então, mesmo usinas mais capitalizadas preferiam vender etanol às distribuidoras a preços baixos pois previam que não teriam espaço em seus tanques para armazenar todo o biocombustível que iriam produzir até o fim da temporada. Desde a última semana, porém, algumas começaram a ser mais seletivas, avaliando que poderiam se beneficiar de preços mais altos na entressafra.

Foi o caso da Usina Alta Mogiana, em Ribeirão Preto (SP). "Tínhamos acelerado as vendas entre maio e junho, mas agora paramos de vender. Estamos aguardando preços melhores em setembro e outubro", diz Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da usina. "Sinais recentes indicam que parte das usinas está segurando as vendas no atual patamar de preços", diz João Paulo Botelho, analista da consultoria FCStone.

Para um trader, os motoristas devem começar a absorver mais a oferta de etanol no país porque o preço do biocombustível está mais competitivo que a gasolina nos cinco Estados que mais consomem o produto (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso). Além disso, a queda recente dos preços no Centro-Sul tornou o etanol competitivo também no Nordeste e até mesmo no exterior, segundo Figueiredo.

Uma reação dos preços, porém, não deve ser imediata. "Em setembro, pode ter recuperação na medida em que a oferta diminuir e o etanol mantiver a competitividade", avaliou o trader. O tempo seco antecipa a moagem e deve provocar quebra de safra. Assim, a expectativa é que o etanol novo pare de chegar ao mercado no fim de setembro.

Willian Hernandes, sócio da FG/A, avalia que há espaço para o consumo crescer no Paraná e no Rio de Janeiro, onde a relação com a gasolina ainda não está claramente vantajosa para os motoristas, o que pode firmar os preços.

Em junho, enquanto a produção de etanol hidratado do Centro-Sul somou quase 3 bilhões de litros, as vendas ficaram em 1,7 bilhão de litros, de acordo com dados recentes da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico