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Presidente da Petrobras prevê investir US$ 100 bi em cinco anos

Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco afirmou, em audiência ontem na Comissão de Infraestrutura do Senado, que a empresa vai investir aproximadamente US$ 100 bilhões nos próximos 5 anos. Os desinvestimentos de ativos, por outro lado, devem chegar a até US$ 35 bilhões no período.

"São escolhas. Você tira dinheiro de um lugar e coloca em outros mais rentáveis. É a busca do investimento ótimo que maximiza o retorno ao acionista", avaliou o presidente da estatal.

Castello Branco rechaçou a tese de que o atual governo esteja desmontando a estatal. "Não estamos desmontando a Petrobras, estamos transformando numa empresa melhor. Investindo naquilo que é bom. Isso se chama gestão de portfólio".

Ele confirmou que, até o momento, já foram vendidos US$ 15,3 bilhões do plano original de desinvestimento. A venda das empresas que compõem o sistema de refino de Pasadena, nos Estados Unidos, que arrecadou US$ 562 milhões, foi importante mais pelo simbolismo do que pelo valor arrecadado, pois se tratava de uma "página negra" para o país, avaliou.

Após a venda de distribuidoras no Paraguai, o presidente da Petrobras disse que o mesmo deve ocorrer com redes de combustível mantidas no Uruguai e Colômbia. "Não faz o menor sentido [manter]", apontou. Entra no cálculo ainda a venda de 90% da participação na Transportadora Associada de Gás (TAG). O grupo formado pela Engie e pelo fundo canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ) pagou R$ 33,5 bilhões à Petrobras.

A venda de oito das 13 refinarias da companhia está no planejamento estratégico. O processo foi dividido em duas etapas. A primeira já está em curso, para a venda de Abreu e Lima (Pernambuco), Landulpho Alves (Bahia), Presidente Getúlio Vargas (Paraná) e Alberto Pasqualini (Rio Grande do Sul). Castello Branco garantiu que há um grande número de potenciais compradores. "Com respeito às quatro primeiras refinarias, digo que há grande interesse. O número supera duas dezenas de interessados", asseverou.

Questionado pelos senadores, Castello Branco assegurou que não usará os recursos a serem obtidos com a cessão onerosa para reduzir o endividamento da empresa. Ele fez um apelo para que o Congresso nacional aprove a Proposta de Emenda Constitucional que vai autorizar a União a fazer um pagamento de US$ 9 bilhões em indenização à estatal. Sem esses recursos no curto prazo, disse, a Petrobras não terá como participar do leilão da cessão onerosa, previsto para novembro.

Sobre a situação atual da empresa - que ele disse categoricamente ter sido "assaltada por uma organização criminosa e praticamente desmontada", causando reação de senadores do PT -, o presidente disse que, hoje, o pagamento de juros e serviços de dívidas da Petrobras consome 35% do fluxo de caixa, ante 3% nos concorrentes.

Destacou que a empresa não precisa ser dona da infraestrutura, mas dos serviços. "Petrobras era responsável por 98% da capacidade de refino, uma anomalia", destacou, ponderando que a empresa não ganhou nada com essa dominância no mercado de gás. "Vocês deveriam abominar monopólios como eu abomino".

Outro questionamento recorrente foi sobre a política de preços de combustíveis. Para Castello Branco, não é correta a avaliação de que o diesel custa caro no Brasil. "Brasil não é país caro no diesel, fica abaixo da média global. De 160 países, em mais de 100 custa mais que no Brasil", alegou. "No caso da gasolina, está aderente à média global, às vezes abaixo, às vezes acima", pontuou. Nos dois casos, foram apresentados gráficos de comparação aos senadores. O presidente da Petrobras avaliou que a questão do diesel, na verdade, se dá por conta do crescimento da frota - um efeito danoso da política de expansão de crédito de governos do PT, na opinião dele. "A expansão irresponsável de crédito pelo BNDES aumentou em 47,3% a frota entre 2008 e 2017".

 


Fonte: Valor Econômico