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Produção de açúcar em 2018/19 pode cair ante tendência alcooleira

A próxima safra de cana no Centro-Sul (2018/19) deverá contar com uma oferta semelhante de matéria-prima e será marcada por um mix de produção mais alcooleiro, o que deve diminuir a produção de açúcar, avaliou o diretor-técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar, Antonio de Padua Rodrigues, ao Valor, no intervalo do evento Plataforma Biofuturo.
 
Ele calculou que haverá uma migração de ao menos 2 milhões de toneladas de açúcar para uma produção adicional de etanol equivalente de 1,3 bilhão de litros.
 
Para Padua, ainda é cedo realizar uma projeção para o volume de cana a ser colhido na próxima safra, mas ressaltou que o canavial continua envelhecendo, apesar dos investimentos em renovação.
 
“Houve maior plantio de cana [que amadurece em] um ano e meio e de cana [plantada no] inverno. Vamos ter uma área maior de cana que passará pelo primeiro corte. Mas não compensa aumento da idade do canavial”, disse. A variação do volume a ser colhido, porém, também dependerá do clima.
 
A princípio, mantidas as condições climáticas estáveis, ele estimou que a oferta de cana deverá ser semelhante à atual no Centro-Sul pelo menos até 2020.
 
Quanto à safra atual (2017/18), ele não descarta que as importações continuarão a ocorrer, mas em uma proporção muito menor do que na safra passada. Ele estimou que as exportações de abril deste ano a março do ano que vem ficarão em 1,400 bilhão de litros, enquanto as importações deverão ficar entre 1,10 bilhão e 1,150 bilhão de litros.
 
Desde a semana passada foi aberta uma janela para a importação de etanol mesmo fora da cota, segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro. Essa abertura se deu por causa da forte queda dos preços do etanol nos Estados Unidos, onde o avanço da colheita de milho elevou a oferta de matéria-prima. Além disso, o preço do etanol no mercado interno no Brasil também subiu nas últimas semanas.
 
Segundo Nastari, ainda não há navios previstos para atracarem no Brasil com etanol em novembro, mas os navios previstos para chegar no país até o fim deste mês devem resultar em uma importação de 120 milhões de litros em outubro.


Fonte: Valor Econômico