Clipping

Produção industrial cai pelo 3º mês seguido e se mantém no patamar de 2009

Postado em 3 de Setembro de 2019

Expectativa de analistas era de alta. Recuo de 0,3% foi puxado pelos segmentos de bebidas e alimentos

A produção industrial brasileira registrou queda pelo terceiro mês consecutivo. Em julho, na comparação com o mês anterior, o indicador recuou 0,3%, divulgou o IBGE nesta terça-feira. Em relação a julho de 2018, o indicador registrou queda de 2,5%.

Com isso, a produção industrial nacional está 18,3% abaixo do ponto mais alto da série histórica, registrado em maio de 2011. Em termos de patamar, encontra-se em níveis semelhantes a janeiro de 2009.

O resultado vai de encontro com o que o mercado esperava. De acordo com sondagem da agência Bloomberg, a indústria subiria 0,5% em julho.

A queda de 2,5% representa o pior juçho em quatro anos para a indústria. Em 2016, no mesmo mês, o indicador registrou recuo de 6,1%.

As principais influências negativas para o resultado foram os produtos químicos , que contraíram 2,6%; bebidas , com recuo de 4%; e produtos alimentícios , com queda de 1% no período.

— Em relação ao setor de alimentos, este é o terceiro mês seguido de queda. Isso guarda relação importante com a produção de açúcar. Recentemente, a maior parte da produção de cana-de açúcar está direcionada para a produção de etanol. Cerca de 65% da cana está direcionada para a produção do combustível. Assim, este processo traz uma influência negativa para o setor de alimentos — destaca André Macedo, coordenador de Indústria do IBGE.

Macedo destaca que o reordenamento da safra de cana-de-açúcar para a produção de etanol está associada ao mercado internacional:

— Observamos uma supersafra de cana-de-açúcar em países como Índia e Tailândia, aumentando a oferta de açúcar no mercado. Diante deste cenário, torna-se mais vantajoso direcionar a colheita para a produção de etanol.

O gerente de Indústria do IBGE destaca que estas medidas estão associadas a preços de mercado.

— Pelo segundo ano, observamos um maior direcionamento da safra brasileira de cana para a produção de combustível. Isso está atrelado a questões de oferta e demanda de açúcar e etanol. Os produtores redirecionam suas produções para o que for mais vantajoso no período — diz Macedo.

Setor extrativo sobe ante junho

O setor extrativo em julho, na comparação com junho deste ano, apresenta alta de 6%. O crescimento é explicado por aumento na produção de óleo e gás e a retomada de unidades de extração de minério de ferro. De maio a julho, a alta acumulada é de 18,5%.

Ainda assim, o setor extrativo não recuperou as perdas do primeiro quadrimestre do ano. No período, a queda foi de 24,5%, por conta do desastre ambiental em Brumadinho (MG).

Na comparação com julho de 2018, porém, a indústria extrativa apresenta recuo de 8,8%. O resultado negativo interanual é influenciado, também, por conta da tragédia em Brumadinho.

Acumulado em 12 meses

No acumulado em 12 meses, a indústria brasileira registra queda de 1,3%. 
Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários e os bens de capital influenciaram negativamente a indústria em julho, ao apresentarem recuo de, respectivamente, 0,5% e 0,3%.

Ambos registraram o segundo mês consecutivo de queda. Já os bens de consumo semi e não-duráveis e os bens de consumo duráveis subiram. O primeiro, 1,4%; o segundo, 0,5%.

Na segunda-feira, economistas consultados pelo Banco Central (BC) projetaram crescimento da indústria de apenas 0,08% em 2019, segundo o Boletim Focus. Na semana anterior, a projeção era a mesma. Há um mês, o percentual era superior: 0,23%.

 


Fonte: O Globo