Clipping

Produtividade sustenta avanço da Tereos

A aposta da Tereos Açúcar & Energia Brasil na produtividade de seus canaviais no país permitiu à companhia controlada pela francesa Tereos aumentar sua moagem de cana neste ciclo (2017/18) e deverá garantir, se o clima colaborar, um novo avanço na próxima safra.

Os últimos pés de cana desta temporada no país acabaram de ser processados ontem. No total, foram 20,2 milhões de toneladas, 2% mais que na safra 2016/17. Para o próximo ciclo, que começará em abril, a expectativa é que a moagem suba para aproximadamente 20,7 milhões de toneladas.

"Investimos nos canaviais, com destaque para a agricultura de precisão, inclusive com uso de drones para monitorar a cana. O aumento [da moagem] foi reflexo desses investimentos", afirma Jacyr Costa Filho, diretor da Região Brasil da Tereos. Ele também realçou a importância da busca de variedades de cana com melhor desempenho para o plantio em áreas próprias.

Com sete usinas no país, a companhia avalia que seu negócio no Brasil deverá continuar a representar entre 20% e 25% do faturamento global. A produção brasileira de açúcar deverá encerrar a safra em 1,8 milhão de toneladas e a de etanol, em 649 milhões de litros – crescimentos de 12,5% e 2%, respectivamente.

Neste ciclo, a produtividade nas lavouras da companhia cresceu 6%, para 84 toneladas de cana por hectare. A concentração de sacarose também aumentou, 4%, para 141,5 quilos por tonelada de cana.

Num momento em que muitas empresas têm receios a respeito da oferta de cana em 2018/19, a perspectiva de crescimento da moagem da Tereos no novo ciclo decorre de uma estimativa positiva para a produtividade e da expansão da área própria de cana, segundo Costa Filho. Para garantir esses avanços, a Tereos deve voltar a investir R$ 600 milhões na próxima safra, com foco na área agrícola.

Porém, novos aportes em expansão industrial, como o que foi concluído recentemente na usina localizada em Tanabi (SP), estão descartados. Este último, de cerca de R$ 60 milhões, deverá permitir um aumento da capacidade de moagem apenas nas próximas safras. A perspectiva é que a unidade processe 2,7 milhões de toneladas em 2017/18, quase 10% mais que nesta safra, e atinja sua nova capacidade de 3 milhões de toneladas em 2019/20.

O incremento da oferta de matéria-prima também ajuda a empresa a perseguir a meta de ampliar sua fatia nas vendas de açúcar no varejo brasileiro. Desde a safra passada, a empresa tem reforçado sua área de marketing e lançado novos produtos, como o açúcar demerara empacotado. O resultado foi um salto para 12,8% na participação de mercado do açúcar da marca Guarani em setembro, ante 6% na primeira metade de 2016.

Por Camila Souza Ramos 


Fonte: Valor Econômico