Clipping

Produtor de açúcar, não de cana

O produto final é dado “kg ATR” e não tonelada de cana

João Rosa – Professor do Pecege/ Gestor de Novos Negócios

Independente da natureza do custo, se é energético, monetário ou qualquer expressão que for, ou então, se estamos falando de uma bala ou de uma nave espacial, uma coisa é certa: deseja-se conhecer quantas unidades dos fatores de produção foram alocadas a cada unidade do produto, expressando, portanto, o custo unitário.

Apesar da obviedade do indicador, o conceito não é aplicado integralmente no setor sucroenergético, em especial na parte agrícola. É comum (quase que universal) a apresentação de indicadores utilizando a quantidade de cana-de-açúcar produzida como referência de produto final. Indicadores técnicos como, produtividade e ganhos/perdas relacionadas, em geral, são apresentados em toneladas por hectare (t/ha). Custos de produção em unidades monetárias em função da tonelada produzida, como R$ ou US$/t. E por aí vai.

Pois bem, se analisarmos os aspectos econômicos da produção, em especial a remuneração da matéria-prima ao produtor, ela é realizada em função da quantidade de açúcar extraída da cana, o tal do ATR (açúcar total recuperável), expresso em kg por tonelada de cana. Ou seja, na verdade o produto final é dado “kg ATR” e não tonelada de cana, sendo, portanto, a unidade mais indicada para a avaliação de parâmetros.

Apesar de parecer um preciosismo acadêmico, a associação correta das unidades é fundamental para que as análises e, consequentemente, as tomadas de decisão sejam consistentes, evitando interpretações errôneas. Talvez o exemplo a seguir evidencie de forma mais didática a linha de raciocínio a que me refiro, onde é comparada a eficiência em termos de custos de produção de dois produtores, sob três óticas.


Fonte: CanaOnline