Clipping

Produtor de etanol propõe venda direta

Um modelo para aproximar produtores de usinas do álcool hidratado (de uso veicular) e fornecedores (postos de combustível) do insumo foi apresentado por representantes do setor sucroenergético do Nordeste à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Por meio de uma petição administrativa, o segmento apresentou a medida para que os próprios produtores de álcool nas usinas possam comercializar o produto diretamente para os fornecedores. Por isso, ontem o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE) e a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) se reuniram com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para tratar do assunto.

De acordo com o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha, o projeto representa a venda direta do etanol de forma alternativa. “O modelo não é excludente, ele se complementa. Ou seja, os fornecedores do etanol vão poder comprar o produto tanto das distribuidoras, como acontece atualmente, mas também possa comprar do produtor das usinas”, explicou Cunha, acrescentando que o Brasil não pode travar por questões logísticas, por isso é importante a evolução de um modelo que vai trazer mais racionalidade.

A medida está sendo avaliada pelo Governo Federal. “A partir desse modelo, será possível mais celeridade nas vendas, além de evitar o passeio do álcool nos transportes”, disse Cunha, complementando a eficiência logística. Atualmente, o álcool sai da usina, é vendido para a distribuidora, que leva para Suape com o objetivo de realizar trocas de notas fiscais para só depois ir para a venda nos postos. “Um grupo empresarial de usinas do estado de São Paulo percorreram o caminho judicial para conseguir aprovação do modelo”, informou Cunha. Assinaram a petição os Sindaçúcar de Pernambuco, de Alagoas, do Rio Grande do Norte, do Piauí, da Bahia e de Sergipe, além da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana).

Com o objetivo de aumentar a concorrência no setor de combustíveis e, consequentemente, reduzir os preços ao consumidor final, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) divulgou um estudo com propostas. Um dos pontos é justamente o do modelo de distribuição em que seja possível o produtor de etanol participar de uma concorrência mais saudável, que o aproxime do consumidor e produza vantagens logísticas para o setor.


Fonte: Folha de Pernambuco